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Moraes nega favorecer Vorcaro e chama investigação de Mendonça de inconstitucional

Há 2 meses
Atualizado terça-feira, 15 de setembro de 2026

Da Redação

Em defesa de 44 páginas, Alexandre de Moraes se posiciona, pela primeira vez, sobre mensagens enviadas por Daniel Vorcaro

O ministro Alexandre de Moraes enviou, na noite de segunda-feira (14/9), uma defesa de 44 páginas ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, um dia antes do plenário julgar se ele deve ou não ser formalmente investigado no caso envolvendo o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, do Banco Master. No documento, Moraes nega qualquer irregularidade, afirma que nunca beneficiou o banqueiro ou a instituição financeira e classifica a apuração conduzida pelo ministro André Mendonça como ilegal e movida por “vingança” política.

O que motivou a defesa de Moraes

A manifestação é resposta a um prazo aberto por Fachin no início de setembro, que pediu esclarecimentos não só de Moraes, mas também de Mendonça, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O caso teve origem em mensagens e anotações atribuídas a Vorcaro, encontradas em seu celular durante a Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.

Segundo essas anotações, haveria menções a Moraes que sugeririam algum tipo de proximidade com o banqueiro. A Polícia Federal produziu um relatório sobre o material, e é justamente esse documento que o plenário do STF vai discutir nesta terça-feira (15/9), avaliando se há elementos suficientes para abrir uma investigação formal contra o ministro.

Os argumentos de Moraes contra a investigação

Na defesa, Moraes sustenta que o procedimento aberto por Mendonça não seguiu os trâmites legais, já que não partiu de um pedido da Procuradoria-Geral da República, não teve provocação da Polícia Federal nem autorização prévia do plenário da Corte. Para ele, isso torna a apuração inconstitucional.

O ministro também argumenta que o relatório da PF não traz nenhuma mensagem escrita por ele que comprove orientação jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operações policiais envolvendo o Banco Master. Segundo Moraes, as suspeitas se baseiam apenas em anotações feitas por Vorcaro em blocos de notas do próprio celular, sem prova de que esse conteúdo tenha realmente chegado até ele.

A tese da “vingança” e da motivação política

Moraes vai além da defesa técnica e associa o pedido de investigação a um suposto movimento de retaliação de aliados de pessoas condenadas pelo STF por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele afirma que esse grupo teria mudado de estratégia, mas manteria o mesmo objetivo de enfraquecer a Corte.

O ministro também questiona a origem técnica do relatório da PF, alegando que metadados indicariam participação de um órgão externo — possivelmente estrangeiro — na produção do documento, e associa isso a uma tentativa de interferência nas eleições de 2026.

Por que a prisão de Vorcaro enfraquece a tese de vazamento

Um dos pontos centrais da defesa é o próprio desfecho da Operação Compliance Zero. Moraes lembra que Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, com passaporte verdadeiro e o celular em mãos — o que, segundo o ministro, comprova que o banqueiro não sabia da existência do mandado de prisão contra ele. Para Moraes, isso contradiz diretamente a hipótese de que ele teria vazado informações sigilosas da investigação.

A resposta de Mendonça

Em manifestação própria enviada também a Fachin, André Mendonça defendeu as medidas que tomou durante a condução do caso, entre elas uma reunião presencial com delegados responsáveis pela apuração. Segundo ele, o encontro foi necessário porque as anotações de Vorcaro citavam o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral Paulo Gonet — e a Polícia Federal suspeita que o destinatário dessas mensagens seria o próprio Alexandre de Moraes.

Mendonça afirma que a intimação presencial dos delegados foi uma medida de cautela para proteger o sigilo da investigação, e não uma forma de atribuir culpa a alguma autoridade específica. Segundo ele, essa necessidade de cuidado já constava na decisão original que determinou a convocação dos policiais.

O que vem a seguir

O julgamento desta terça-feira no STF vai definir se os elementos reunidos pela Polícia Federal são suficientes para abrir uma investigação formal contra Alexandre de Moraes. O caso é acompanhado de perto porque envolve, ao mesmo tempo, a crise do Banco Master, a conduta de um ministro do Supremo e disputas sobre os limites de atuação da própria Corte.

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