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foto do ministro Gilmar Mendes em confronto com o senador Alessandro Vieira

PGR aponta uso eleitoreiro de CPI em caso envolvendo Gilmar Mendes

Há 3 meses
Atualizado quarta-feira, 22 de julho de 2026

Da Redação

A atuação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na relatoria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ganhou um novo desdobramento jurídico após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em parecer encaminhado à Procuradoria Regional Eleitoral em Sergipe, tornado público nesse domingo (20), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou indícios de desvio de finalidade e considerou que a conduta pode ter extrapolado os limites da atividade parlamentar ao assumir contornos de natureza eleitoral.

A análise decorre de representação apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. O magistrado questionou o relatório final da CPI, que sugeriu seu indiciamento por suposto crime de responsabilidade, embora esse tema não integrasse o objeto da comissão.

A manifestação da PGR não impõe qualquer sanção ao parlamentar nem declara sua inelegibilidade. O documento apenas encaminha o caso para avaliação do Ministério Público Eleitoral, que decidirá se há elementos suficientes para a adoção de medidas na esfera eleitoral.

Relatório da CPI é alvo de questionamentos

Na avaliação da Procuradoria-Geral da República, a proposta de indiciamento de um ministro do STF não guardaria relação direta com a finalidade para a qual a CPI foi instituída. O parecer sustenta que a comissão foi criada para investigar organizações criminosas, e não para examinar eventual responsabilidade de integrantes da Suprema Corte.

Segundo a manifestação, a inclusão desse tema no relatório final pode caracterizar desvio da finalidade constitucional atribuída às comissões parlamentares de inquérito, cuja atuação deve permanecer vinculada ao objeto definido no ato de criação.

O documento também registra que a atuação atribuída ao relator teria assumido contornos incompatíveis com os limites da investigação parlamentar, justificando o envio da questão para análise da Justiça Eleitoral.

Suspeita de finalidade eleitoral amplia debate

Outro aspecto destacado pela PGR é a possível utilização da relatoria da CPI para objetivos alheios à atividade investigativa. O parecer menciona que a conduta pode ter sido orientada por finalidade de natureza eleitoral, circunstância que, em tese, poderia caracterizar abuso de poder político.

Apesar dessa conclusão preliminar, o procurador-geral afastou, ao menos neste momento, a configuração de crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade. A avaliação concentrou-se exclusivamente nos possíveis reflexos da conduta no âmbito eleitoral.

Com isso, caberá à Procuradoria Regional Eleitoral examinar os fatos, reunir os elementos que considerar necessários e decidir se existe fundamento jurídico para o ajuizamento de eventual ação perante a Justiça Eleitoral.

Defesa invoca imunidade parlamentar

O senador Alessandro Vieira nega qualquer irregularidade e sustenta que sua atuação está protegida pela imunidade parlamentar assegurada pela Constituição. Para a defesa, o relatório produzido na CPI representa manifestação típica do exercício do mandato legislativo.

O parlamentar também afirma que a proposta de indiciamento decorreu da interpretação jurídica dos fatos investigados pela comissão e rejeita a tese de que tenha utilizado a atividade parlamentar para fins eleitorais.

Caso a Procuradoria Regional Eleitoral opte por adotar alguma medida, o procedimento ainda passará pelo crivo da Justiça Eleitoral. Somente ao final desse processo, caso haja eventual condenação nos termos da legislação aplicável, poderão surgir consequências para a situação eleitoral do senador.

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