Perícia sobre barragem de mineração: STJ derruba decisão do TJMG e reabre caminho para recurso – – –
Justiça de SP determina prisão de homem que agrediu idoso com chute nas costas em Osasco – – –
Brasil registrou, de janeiro a setembro, mais de 818 mil processos de violência doméstica, informa CNJ – – –
TRF 1 permite à família de Tancredo acesso a documentos sigilosos sobre sua morte  – – –
Defesa de Vorcaro denuncia o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos – – –
MP recorre para elevar a quase 28 anos pena de empresário que matou motorista de aplicativo com Porsche – – –
STF inicia audiência sobre proibição das bets sob polêmica por escolha de participantes – – –
MPF investiga se dragagem do Porto do Recife está impactando no aumento da poluição em PE – – –
Advogados de Flávio Bolsonaro pedem ao STF para revogar decisão de apreender seus passaportes  – – –
Eleições de meio de mandato nos EUA definem o poder de Trump no Congresso – – –
Tancredo Neves e sua esposa, dona Risoleta Neves, ao lado da equipe médica

TRF 1 permite à família de Tancredo acesso a documentos sigilosos sobre sua morte 

Há 2 horas
Atualizado terça-feira, 3 de novembro de 2026

Da Redação

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1) decidiu que a família do político Tancredo Neves — eleito por um colégio eleitoral como presidente do Brasil, mas que faleceu antes de tomar posse no cargo, em 1985 — tenha acesso a documentos sigilosos sobre a sua internação no Hospital de Base, em Brasília. 

O objetivo da liberação dos familiares aos documentos é sanar a dúvida da família — e de inúmeros eleitores da época — sobre a suspeita de erro médico. Tancredo Neves foi internado na véspera da posse presidencial com um quadro de diverticulite — inflamação na região do intestino grosso. Ele morreu um mês depois, em 21 de abril de 1985.

Com a nova decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), devem liberar prontuários, relação de médicos e outros documentos — que os dois órgãos negaram anteriormente a filhos e netos de Tancredo. 

Busca começou em 2010

Apesar de a decisão ter chegado apenas em 2026, a busca por explicações começou em 2010, com a publicação do livro intitulado “O paciente”, do jornalista Luís Mir. Com autorização da família, o escritor pesquisou a fundo o período e encontrou falhas nos procedimentos. 

A advogada Juliana Porcaro afirmou que a família pediu aos conselhos que liberassem os documentos, mas a demanda foi negada com base no sigilo da relação médico-paciente. Por isso, o caso foi parar na Justiça.

Hipóteses de erro

As hipóteses de erro médico levantadas pelo autor e pelos familiares se sustentam em quatro fatores. O primeiro foi a cirurgia realizada de forma imediata. Especialistas ouvidos pelo escritor questionaram a decisão de uma cirurgia de emergência e ressaltaram que os procedimentos contra diverticulite costumam ser eletivos, ou seja, passíveis de agendamento enquanto o paciente segue com outros tratamentos.

Outro fator foi o uso de técnicas consideradas questionáveis. Isto porque mais de 30 acompanhantes estiveram na sala de cirurgia durante o procedimento, o que é proibido por razões de segurança. Um terceiro fator foi a advertência feita oficialmente a médicos envolvidos no tratamento receberam advertência CRM-DF. O motivo desta notificação, no entanto, segue como um mistério.

Falhas no protocolo

Por fim, conforme o livro do autor, podem ter sido observadas falhas no protocolo de recuperação, que contribuíram para complicações no paciente. Uma das fotos mais emblemáticas da época, por exemplo, mostra Tancredo Neves sentado ao lado dos médicos. De acordo com especialistas, em função da região onde foi realizada a cirurgia, ele não poderia ter sido colocado naquela posição.

Durante o julgamento no TRF 1, realizado no último dia 26 pela 13ª Turma da Corte, os desembargadores federais, por unanimidade, reconheceram o direito de um dos filhos do ex-presidente Tancredo Neves de obter acesso aos documentos médicos relacionados ao tratamento e ao falecimento de seu pai.

Reforma de sentença da JFDF

A decisão, proferida sob a relatoria do desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, reformou sentença da Justiça Federal do Distrito Federal (JFDF) que havia extinguido, sem resolução do mérito, o habeas data ajuizado por Tancredo Augusto Tolentino Neves contra o CFM e o CRM-DF.

O autor da ação buscava acesso a prontuários, relatórios médicos e demais documentos relacionados ao tratamento e ao falecimento do ex-presidente, ocorrido em 1985. As entidades médicas negaram o fornecimento das informações com o argumento de que tais documentos estavam protegidos pelo sigilo profissional e de que o habeas data possui “natureza personalíssima”, não podendo ser utilizado por terceiros, ainda que herdeiros.

Sigilo “não tem caráter absoluto”

Para o desembargador Carvalho Veloso, “o sigilo médico, embora constitucionalmente protegido, não possui caráter absoluto e deve ser ponderado com outros direitos fundamentais, especialmente o direito à informação, à dignidade humana e à preservação da memória familiar e histórica”.

O relator ressaltou que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) admite, em situações excepcionais, que familiares tenham acesso a informações de pessoas falecidas quando demonstrado interesse jurídico legítimo.

Dimensão histórica do caso

No voto, o magistrado também enfatizou a dimensão histórica do caso, considerando a relevância de Tancredo Neves para o processo de redemocratização do Brasil. Segundo o desembargador, o conhecimento das circunstâncias que envolveram o tratamento médico e o falecimento do ex-presidente “ultrapassa o interesse exclusivamente familiar, alcançando a própria sociedade brasileira”.

Assim, os demais desembargadores que integram a Turma acolheram por unanimidade o voto do relator e deram provimento à apelação, reformando a sentença de primeiro grau e determinando que os dois conselhos de medicina forneçam os documentos e as informações solicitadas. De acordo com o relator, “a decisão reafirma a importância da interpretação dos direitos fundamentais à luz da dignidade”.

— Com TRF 1 e Agências de Notícias

Autor

Leia mais

Ministro João Otávio de Noronha, do CNJ, durante sessão

Perícia sobre barragem de mineração: STJ derruba decisão do TJMG e reabre caminho para recurso

Há 2 minutos
Câmera que filmou momento da agressão de homem a idoso em Osasco (SP)

Justiça de SP determina prisão de homem que agrediu idoso com chute nas costas em Osasco

Há 43 minutos
Brasil registrou de janeiro a setembro mais de 818 mil casos de violência doméstica. Segundo o Datajus, do CNJ, número é recorde.

Brasil registrou, de janeiro a setembro, mais de 818 mil processos de violência doméstica, informa CNJ

Há 2 horas

Defesa de Vorcaro denuncia o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos

Há 2 horas
empresário dono de porche que matou motorista de aplicativo

MP recorre para elevar a quase 28 anos pena de empresário que matou motorista de aplicativo com Porsche

Há 7 horas
plenário onde acontece a audiência pública sobre impacto das bets

STF inicia audiência sobre proibição das bets sob polêmica por escolha de participantes

Há 7 horas