Da Redação
Desde a semana passada, quando o conflito entre os ministros chegou ao auge, o STF não realizou sessões de julgamento, o que deixou parado o andamento de processos importantes, inclusive de temas ligados à saúde pública. As duas sessões que estavam previstas para aquele período foram canceladas pelo presidente da Corte, Edson Fachin, numa tentativa de conter os ânimos que, até agora, não teve o efeito esperado.
Nesta quarta-feira, 16, está marcada uma sessão para tratar de processos gerais, às 14h, horário de Brasília. A ideia é retomar o ritmo normal de trabalho da Corte, mesmo com a divisão entre os ministros ainda evidente, como mostrou a sessão de terça, marcada por acusações e trocas de farpas entre os magistrados.
Nada resolvido e tudo incerto
A sessão de terça-feira, 15, terminou sem definir se Alexandre de Moraes será investigado, e a indecisão agora coloca em dúvida o julgamento marcado para a próxima quarta-feira, 23, que trata do caso envolvendo o ministro André Mendonça e sua conduta no caso do Banco Master. Com isso, a disputa interna na Corte continua sem solução e ganha ainda mais espaço no debate político do país.
O que está em jogo na sessão de quarta que vem
Previsto para o dia 23 de setembro, a sessão deve decidir se a conduta de Mendonça também será apurada, em situação semelhante à que envolve Moraes. Como o encontro anterior não chegou a um resultado, cresce a dúvida sobre se essa nova sessão vai realmente acontecer como planejado.
Enquanto isso não se resolve, a crise segue alimentando a instabilidade dentro do tribunal e reforça a sensação de que os próximos passos da Corte são difíceis de prever.
Nomes de Fux e Nunes Marques entram na disputa
Antes mesmo de a sessão de terça começar, vieram à tona informações que ligam os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, direta ou indiretamente, ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Essas informações foram mencionadas pelo ministro Flávio Dino durante o julgamento, que chegou a perguntar se aquela seria apenas a primeira de várias sessões parecidas nas semanas seguintes, voltadas a apurar a conduta de outros colegas.
No caso de Fux, o ponto de contato seria seu filho, o advogado Rodrigo Fux. Mensagens trocadas com Vorcaro mostram um relacionamento próximo e frequente entre os dois, com termos afetuosos usados nas conversas. Já em relação a Nunes Marques, mensagens apontam a menção a um valor de R$ 500 mil endereçado a Kevin Marques, filho do ministro.
As consequências da indefinição até agora
O que se tem até o momento é que Alexandre de Moraes segue sem ser formalmente investigado, já que a sessão foi encerrada sem entrar no mérito da questão. Por isso, fica incerto se o julgamento sobre a conduta de Mendonça, previsto para a próxima terça, será mantido como programado.
Por sua vez, Nunes Marques e Dias Toffoli já se declararam impedido e suspeito, respectivamente, no caso Moraes, e podem repetir a postura no caso Mendonça.
Diante disso, a crise interna do STF permanece como tema central no debate eleitoral, ampliando o desgaste de imagem entre os envolvidos.