Da Redação
Durante sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes acusou seu colega André Mendonça de utilizar sua relatoria do caso Master para interferir nas eleições presidenciais de outubro, provocando um dos momentos mais tensos do julgamento sobre possíveis irregularidades do ministro Alexandre de Moraes.
Confronto direto na corte
Gilmar Mendes dirigiu-se ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmando categoricamente que há viés político-eleitoral. O decano declarou ao plenário que “é evidente e até as pedras sabem” da interferência, completando que “pessoas decentes não fazem isso”.
A tensão escalou quando Mendonça reagiu acusando Gilmar de ser leviano ao levantar a suspeita. O ministro relator pediu que o decano não apontasse dedo para ele, gerando resposta imediata da corte.
O contexto do caso Master
A crise institucional começou em 1º de setembro, quando Mendonça levantou sigilo sobre relatório da Operação Compliance Zero. O documento vincula Alexandre de Moraes ao ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master.
Gilmar argumentou que Mendonça escolheu deliberadamente a data para coincidir com manifestações populares do 7 de setembro. O decano criticou duramente a estratégia, utilizando linguagem forte contra o colega durante o julgamento.
Relatório polêmico e denúncias
O documento divulgado contém 52 mensagens que investigadores apontam ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Em uma conversa, o ex-banqueiro parece sugerir envio de contrato milionário relacionado à esposa do ministro.
A Procuradoria-Geral da República pediu anulação do relatório parcial, argumentando que houve irregularidade na condução das investigações sem comunicação prévia ao presidente da Corte ou ao plenário.
Resposta de Moraes e próximos passos
Em defesa apresentada na madrugada de terça-feira, Alexandre de Moraes negou qualquer irregularidade e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. O ministro divulgou seu próprio documento sugerindo direcionamento de investigações por parte de Mendonça.
Ao final de sua manifestação, Gilmar levantou questão de ordem pedindo que o Supremo adiasse o julgamento para 23 de setembro. Essa data já estava agendada para julgar pedido de Moraes contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade.
Precedente histórico no STF
Pela primeira vez na história do Supremo Tribunal Federal, a Corte avalia abertura de investigação criminal contra um de seus membros. Todos os ministros participam do julgamento extraordinário convocado por Fachin.
Dois ministros já se declararam impedido e suspeito de votar: Nunes Marques e Dias Toffoli, respectivamente. Moraes e Mendonça sentam lado a lado durante toda a sessão transmitida ao vivo.
Desdobramentos eleitorais
A sessão foi suspensa para almoço, retomando-se às 15 horas. A transmissão pela TV Justiça foi interrompida devido ao horário eleitoral gratuito, conforme sugestão do presidente do Supremo.