Da Redação
A empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi incluída em um pedido de intimação apresentado à Justiça dos Estados Unidos para prestar depoimento sob juramento e entregar documentos relacionados ao patrimônio e às operações financeiras do ex-controlador do Banco Master. A solicitação também abrange negócios envolvendo outras 18 pessoas e empresas.
Segundo informações veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo, a EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do Master, protocolou o pedido no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida. O depoimento está previsto para 8 de dezembro, em Miami, enquanto o prazo solicitado para a apresentação dos documentos termina em 30 de novembro.
Transferência de bens e recursos
O depoimento tem como objetivo ajudar a esclarecer a existência de bens, transferências de recursos e relações comerciais que possam ter ligação com Vorcaro e seu grupo empresarial. Martha Graeff não é ré no processo e foi convocada na condição de testemunha. A empresária poderá contestar a intimação ou solicitar sua anulação.
Seu advogado, Lucio Constantino, afirmou que ela ainda não havia recebido a intimação e desconhecia o pedido apresentado à Justiça americana, mas está e sempre esteve à disposição das autoridades.
A solicitação judicial abrange o período entre janeiro de 2018 e novembro de 2026 e exige informações sobre bens que Graeff possua, tenha possuído ou tenha participado da aquisição, desde que relacionados a Vorcaro ou aos demais nomes mencionados no procedimento.
Imóveis, carros, jóias e quadros
Entre os ativos que poderão ser examinados estão imóveis, veículos, obras de arte, jóias e relógios. O pedido também alcança bens eventualmente mantidos por intermediários, trusts — estruturas jurídicas utilizadas para administração patrimonial — ou empresas de fachada.
O liquidante solicita contratos de compra e venda, documentos de consignação, apólices de seguro, registros cadastrais e extratos bancários. Também pretende identificar a origem e o destino de pagamentos recebidos pela empresária ou por companhias sob seu controle.
Uma das empresas mencionadas é a Graeff Holdings LLC, constituída na Flórida em 15 de setembro de 2023. Martha aparece como administradora da companhia nos registros estaduais, que não identificam seus sócios. A legislação local não exige a divulgação dessa informação para todas as empresas de responsabilidade limitada.
Serviços para empresas ligadas ao Master
O pedido inclui ainda esclarecimentos sobre eventuais serviços prestados pela empresária a companhias integrantes do universo empresarial do Banco Master. A iniciativa está fundamentada na Regra 2004 da legislação falimentar americana, que permite a coleta de depoimentos e documentos de pessoas capazes de fornecer informações relevantes sobre o patrimônio de um devedor.
O mesmo instrumento já foi utilizado no processo para solicitar informações a instituições financeiras, entre elas Bradesco e Itaú, e a empresas que mantiveram negócios com Vorcaro e seus sócios.
Outros nomes a serem intimados nos EUA
Além do ex-banqueiro, a relação de pessoas e companhias citadas inclui Antonio Carlos Freixo Júnior, apontado como delator nas investigações brasileiras, os ex-dirigentes e sócios Maurício Quadrado e Luiz Antonio Bull e a Titan Capital Holding, empresa vinculada a Vorcaro no exterior.
De acordo com informações da Polícia Federal, o interesse do liquidante em obter documentos patrimoniais ocorre após a divulgação de conversas entre Vorcaro e Graeff que abordavam a possibilidade de transferir bens para o nome da empresária.
Manifestações da empresária
Na ocasião, o ex-banqueiro sugeriu à então companheira que determinados ativos fossem registrados em seu nome, enquanto negociava a aquisição de outra residência de alto padrão em Miami. A divulgação das mensagens provocou manifestações públicas da empresária, que rejeitou qualquer participação em irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Em abril passado, ela afirmou ter sido “arrastada para um lamaçal” após a exposição de sua relação com o ex-banqueiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, disse que estava sendo alvo de ataques e contestou informações sobre um suposto crescimento de seu patrimônio.
“O meu patrimônio é idêntico ao de dois anos atrás. Eu não ganhei mansão, não ganhei carro, não ganhei barco. Isso tudo é mentira”, declarou. Na ocasião, a empresária também afirmou que não era investigada nem acusada no caso.
— Com Agências de Notícias