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Democratas conquistam Câmara e Senado e impõem derrota histórica a Trump

Há 58 minutos
Atualizado quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Da Redação

O Partido Democrata garantiu, na madrugada desta quarta-feira (4), a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado dos Estados Unidos. O resultado das eleições de meio de mandato, realizadas na terça (3), representa um duro revés para o presidente Donald Trump, que terá de lidar com um Congresso de oposição até o fim de seu governo. Trump disse que aceita a derrota, mas já indicou que pretende usar o poder de veto para barrar projetos dos adversários.

O que aconteceu no Senado

No Senado, os democratas não só preservaram as cadeiras que já tinham como também tomaram vagas que tradicionalmente ficavam com os republicanos. Ao todo, o partido elegeu 20 senadores nesta eleição, sete deles em estados onde a vaga antes era republicana.

Com isso, a legenda chegou a 54 das 100 cadeiras, segundo a contagem mais recente. Os republicanos somavam 42, e quatro disputas ainda aguardavam definição. Para ter maioria, bastavam 51 assentos.

Câmara também muda de mãos

Na Câmara, a virada foi igualmente expressiva. Os democratas conquistaram 25 cadeiras que estavam com os republicanos, em distritos espalhados por mais de dez estados.

Até a última apuração, o placar era de 224 deputados democratas contra 135 republicanos, com 76 vagas ainda em aberto. Como a Casa tem 435 assentos, um partido precisa de pelo menos 218 para obter a maioria absoluta, marca que os democratas já superaram.

Na prática, o resultado muda o equilíbrio de forças em Washington: o partido de Trump, que controlava as duas casas, perde esse domínio e passa a depender de negociação para aprovar suas propostas.

Vitórias em redutos conservadores

Parte da surpresa veio de estados considerados fortalezas republicanas. No Texas, o democrata James Talarico venceu Ken Paxton, procurador-geral do estado. Na Carolina do Sul, Annie Andrews derrotou Darline Graham, de forma inesperada.

Os dois candidatos derrotados tinham apoio direto de Trump. No caso do Texas, o presidente apoiou Paxton, alvo de diversos escândalos, contra o senador John Cornyn nas primárias. Cornyn e outras lideranças do partido haviam avisado que Paxton teria dificuldade em uma eleição geral e que isso poderia custar caro aos republicanos.

Na Carolina do Sul, Darline Graham disputava a vaga que pertencia a seu irmão, Lindsey Graham, morto de forma inesperada, segundo a reportagem. Mesmo com dúvidas dentro do próprio partido sobre sua experiência, ela recebeu o apoio do presidente.

Ohio, Geórgia e outros resultados importantes

Em Ohio, outro estado de tendência republicana, o democrata Sherrod Brown venceu o senador Jon Husted, por quem Trump fez campanha em várias visitas ao estado.

Os democratas também já haviam tomado uma cadeira na Carolina do Norte. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins, frustrando uma das principais apostas republicanas. Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e vai ocupar a vaga da democrata Jeanne Shaheen, que está se aposentando.

Entre os democratas reeleitos sem grandes sustos estão Cory Booker, de Nova Jersey, Ed Markey, de Massachusetts, e John Hickenlooper, do Colorado. Já Juliana Stratton foi escolhida para suceder Dick Durbin, também democrata.

Trump aceita o resultado, mas promete vetos

Depois da confirmação da vitória democrata, Trump declarou ao jornal The New York Times que está disposto a aceitar o resultado e que pretende buscar entendimentos com a oposição. A fala contrasta com declarações feitas dias antes, quando ele condicionou o reconhecimento da eleição a um pleito que considerasse limpo.

Ao mesmo tempo, o presidente deu sinais de que não pretende facilitar a vida dos adversários. Logo após os primeiros resultados, publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”. Em entrevista anterior a um podcast do New York Post, ele já havia dito que se tornaria o “Sr. Veto”, rejeitando projetos até que os democratas aceitassem negociar.

Como funcionam as eleições de meio de mandato

Nos Estados Unidos, o Congresso não é renovado de uma só vez, como no Brasil. A cada dois anos, todos os 435 deputados são eleitos, já que o mandato deles dura apenas dois anos. No Senado, onde o mandato é de seis anos, cerca de um terço das cadeiras é renovado a cada eleição.

Quando essa votação acontece na metade do mandato presidencial, ela recebe o nome de midterms. Neste ano, além de toda a Câmara, estavam em jogo 35 das 100 vagas do Senado.

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