Da Redação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que é objeto de uma disputa judicial entre o jogador de futebol Richarlison e o advogado Willer Tomaz. A propriedade foi atingida pelas medidas de indisponibilidade patrimonial impostas ao advogado no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas online.
A restrição foi registrada na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB) em 26 de outubro e averbada na matrícula do imóvel dois dias depois, segundo informações publicadas pelo Metrópoles nesta terça-feira (3). A mansão está registrada em nome da WT Administração de Imóveis e Bens, empresa vinculada a Willer Tomaz.
A decisão integra o bloqueio de até R$ 6 bilhões determinado por Moraes em 23 de outubro. A medida impede a livre disposição do patrimônio atingido, mas não representa uma decisão sobre quem tem direito à propriedade, questão que continua sendo discutida judicialmente.
Investigação envolve movimentações bilionárias
Willer Tomaz é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em operações financeiras relacionadas a plataformas de apostas. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o advogado teria movimentado aproximadamente R$ 5 bilhões em uma única plataforma durante 2025.
Além do bloqueio patrimonial, Moraes determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado, a suspensão de passaportes e medidas restritivas relacionadas às atividades de suas empresas.
A investigação também examina relações financeiras envolvendo Willer e o senador Flávio Bolsonaro. A defesa do parlamentar nega a existência de relações comerciais entre eles. Já os advogados de Willer contestam as medidas judiciais, consideradas desproporcionais, e negam a prática de irregularidades.
Richarlison reivindica propriedade milionária
A mansão, que pertenceu à cantora Clara Nunes, é disputada judicialmente desde uma negociação imobiliária iniciada em 2020. Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição e em melhorias realizadas na propriedade.
Em 2022, uma decisão judicial transferiu a posse do imóvel à WT Administração de Imóveis e Bens. O jogador contesta as circunstâncias da transferência e acusa Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro de participação na perda da propriedade. Ambos negam as acusações.
Willer sustenta que adquiriu legalmente o imóvel por aproximadamente R$ 3,6 milhões, incluindo R$ 600 mil pela compra e cerca de R$ 3 milhões destinados à quitação de tributos atrasados. Segundo sua versão, Richarlison teria negociado direitos com pessoas que não detinham legitimamente a propriedade.
Justiça rejeitou retirada de publicações do jogador
A disputa também chegou à Justiça do Distrito Federal. Em 30 de outubro, o juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, rejeitou um pedido de urgência apresentado por Willer Tomaz e sua empresa para obrigar Richarlison a retirar publicações sobre o conflito imobiliário.
O magistrado considerou que a imposição antecipada de restrições às manifestações do jogador poderia configurar censura prévia. A decisão não encerrou a ação indenizatória, que permanece em tramitação.
Com o novo bloqueio determinado pelo STF, a propriedade passa a estar submetida também às restrições patrimoniais decorrentes da investigação criminal. A indisponibilidade impede atos de disposição do imóvel enquanto vigente a medida, sem solucionar a controvérsia sobre os direitos reivindicados pelas partes.