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barras de ouro

Bolívia apreende 189 kg de ouro em jatinho de empresário brasileiro

Há 3 meses
Atualizado quarta-feira, 29 de julho de 2026

Da Redação

Uma operação das autoridades aduaneiras da Bolívia colocou sob investigação uma tentativa de exportação de aproximadamente 189,5 quilos de ouro, avaliados em cerca de US$ 25 milhões (mais de R$ 120 milhões), que seriam enviados para Dubai em uma aeronave registrada em nome de um empresário brasileiro. O caso, revelado oficialmente pela Aduana Nacional boliviana, mobiliza órgãos de controle, a polícia e o Ministério Público do país, que apuram crimes relacionados ao comércio irregular de minerais.

O ouro foi interceptado em 22 de julho no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, após fiscais identificarem que a carga não possuía autorização válida para exportação. As investigações também buscam esclarecer quem é o verdadeiro proprietário do metal e quem organizou a operação internacional.

Até o momento, o empresário brasileiro proprietário da aeronave não figura como investigado. Em nota, ele negou qualquer participação no transporte do ouro, afirmou que não estava a bordo do avião e declarou que a utilização da aeronave ocorreu sem sua autorização.

Fiscalização identificou documentação considerada irregular

Segundo a Aduana Nacional da Bolívia, a fiscalização teve início após a administração do voo fretado comunicar que passageiros transportavam ouro em bagagens de mão. Durante a conferência, os agentes consultaram o Sistema Único de Modernização Aduaneira (SUMA) e não localizaram qualquer autorização para a exportação da carga.

Na sequência, um técnico do Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (Senarecom) examinou a documentação apresentada e concluiu que o formulário utilizado para autorizar a operação era inválido. A constatação levou ao acionamento da Força Especial de Luta Contra o Crime (FELCC), responsável pela apreensão do ouro e pela instauração do procedimento investigativo.

Por determinação judicial, todo o material apreendido foi posteriormente encaminhado ao Banco Central da Bolívia, enquanto o Ministério Público passou a investigar possíveis crimes de contrabando, comercialização ilegal de recursos minerais e enriquecimento ilícito.

Aeronave pertence a empresário brasileiro

A aeronave utilizada na operação é um jato executivo Gulfstream G100, matrícula PS-ZRZ, registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome do empresário sul-mato-grossense Valdir José Zorzo, proprietário do Grupo Dallas. O plano de voo indica que o avião deixou Campo Grande, realizou escala em Corumbá e seguiu para Santa Cruz de la Sierra antes da tentativa de embarque da carga com destino aos Emirados Árabes Unidos.

Inicialmente, reportagens indicaram que a aeronave teria sido apreendida. Posteriormente, a defesa do empresário esclareceu que o jato foi liberado pelas autoridades bolivianas e já retornou ao Brasil, não estando atualmente submetido a qualquer medida restritiva.

Em nota, o Grupo Dallas informou que o avião é de uso particular, que o proprietário desconhecia a operação investigada e determinou a preservação de todos os registros do voo, colocando as informações à disposição das autoridades brasileiras e bolivianas para colaborar com a apuração.

Investigação concentra-se na origem do ouro e na organização da operação

As investigações apontam que o principal responsável pelas quatro malas contendo o ouro seria o boliviano Ádrian Lema Roca, de 22 anos. Ele teve a prisão preventiva decretada por 150 dias e foi encaminhado ao presídio de Palmasola. Outras cinco pessoas chegaram a ser detidas durante a operação, mas foram liberadas após prestarem esclarecimentos.

As autoridades bolivianas também apuram a possível participação de uma empresa sediada em La Paz, suspeita de ligação com a comercialização do minério e com a organização da exportação. O objetivo é identificar quem financiou a operação, a origem do ouro e a cadeia responsável pela tentativa de envio da carga ao exterior.

Enquanto a investigação avança, não há, até o momento, qualquer acusação formal contra o empresário brasileiro proprietário da aeronave. O foco das autoridades permanece na suposta exportação irregular do ouro e na identificação dos responsáveis pela documentação considerada fraudulenta que permitiu a tentativa de embarque da carga.

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