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Bolsonaro nega irregularidades e fala em perseguição política após depor à PF sobre Eduardo e Carla Zambelli

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Da Redação

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento nesta quarta-feira à Polícia Federal no âmbito de um inquérito que apura possíveis irregularidades relacionadas ao seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e à deputada Carla Zambelli (PL-SP). Após a oitiva, Bolsonaro e seu advogado, Paulo Amador da Cunha Bueno, se pronunciaram à imprensa, classificando a investigação como “perseguição política” e defendendo a legalidade das ações do ex-presidente e de seu filho.

Segundo o advogado, Bolsonaro foi ouvido na condição de testemunha, não de investigado, e respondeu às perguntas “por não ter nada a esconder”. O depoimento teve como foco as transferências financeiras realizadas por Bolsonaro para a conta de Eduardo nos Estados Unidos, onde o deputado lcenciado permanece desde fevereiro deste ano.

“O presidente foi ouvido como testemunha. Poderia até se recusar, mas fez questão de prestar os esclarecimentos. A transferência de recursos foi legal, via Pix, e sem qualquer relação com atos ilícitos”, afirmou o advogado.

Ajuda financeira e permanência nos EUA

Bolsonaro admitiu ter transferido R$ 2 milhões para o filho, valor que, segundo ele, corresponde a cerca de US$ 350 mil, justificando o alto custo de vida nos Estados Unidos e a presença dos netos.

“Eu ajudei. Meu filho está com a esposa, uma menina de quatro anos e um garoto de um ano. Dinheiro limpo, legal. Lá tudo é mais caro, e eu quero o bem-estar dele”, declarou o ex-presidente.

Bolsonaro também alegou que a permanência de Eduardo nos EUA coincidiu com um pedido de cassação de seu passaporte, protocolado no Supremo Tribunal Federal por parlamentares da oposição. Segundo ele, o deputado decidiu continuar no exterior após o pedido não ter sido respondido de imediato pelo procurador-geral da República.

Críticas ao STF e a Alexandre de Moraes

A defesa classificou como “equivocada” a abertura do inquérito que investiga supostos crimes como obstrução de justiça, coação no curso do processo e até abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O advogado destacou que não houve fatos novos que justificassem a investigação e criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes.

“Estamos diante da judicialização da política e da politização da justiça. Isso é preocupante para o Estado de Direito”, disse Cunha Bueno.

Zambelli e o CNJ

Questionado sobre o envolvimento da deputada Carla Zambelli, Bolsonaro se distanciou do caso. “Não tenho nada a ver com a Carla Zambelli. Acompanhei pela imprensa. Meu depoimento foi sobre a ajuda financeira ao meu filho”, disse.

Indagado se o depoimento também teria relação com uma suposta tentativa de invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Bolsonaro disse desconhecer os autos e reiterou que foi ouvido apenas sobre a transferência de dinheiro.

Atuação política de Eduardo nos EUA

Bolsonaro defendeu a atuação de Eduardo nos EUA, que segundo ele realiza um trabalho em prol da democracia brasileira junto a parlamentares norte-americanos. Ele negou qualquer atuação de lobby irregular que pudesse justificar eventuais sanções a autoridades brasileiras.

“Sanções se aplicam com base em fatos, não em lobby. O trabalho do meu filho é transparente e legítimo”, afirmou.

O ex-presidente encerrou sua fala reafirmando que se sente alvo de uma perseguição e que continuará colaborando com a Justiça. “A perseguição continua. Estão tentando transformar tudo em crime. Mas eu sigo tranquilo, porque não há nada de ilegal aqui”, concluiu.

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