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Investigação contra Deputado Cezinha revela negociação de acesso a ministros do STF por até R$ 2 milhões

Há 4 semanas
Atualizado segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Da Redação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, levantou sigilo que protegia investigação contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-RJ). A decisão revela suspeitas de que o parlamentar prometia influência sobre magistrados da Corte em troca de recursos financeiros, envolvendo sua esposa e servidora da Câmara em negociações diretas.

Suspeitas de tráfico de influência na Corte

O documento do ministro Dino descreve percepção de que o deputado utilizava sua ascendência parlamentar para fazer terceiros acreditarem em influência sobre juízes de tribunais superiores. Cezinha de Madureira responde por tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro perante a Polícia Federal.

Em relatório citado por Dino, a PF apresenta mensagens obtidas em celular de terceiros que demonstram negociações envolvendo a advogada Valéria Rodrigues Linhares, esposa do deputado. Ela aparece oferecendo acesso do parlamentar a ministros do Supremo em transações financeiras documentadas.

Conversas revelam negociações com valores altos

As mensagens foram encontradas no celular da advogada Mariângela Fialek, servidora da Câmara investigada pela apreensão de emendas do chamado orçamento secreto. Nos diálogos, Mariângela negocia com Valéria contratos de honorários advocatícios mediante interferência do deputado junto a ministros superiores.

Segundo os registros, foram negociadas vantagens indevidas de até dois milhões de reais em troca de comprovação que o deputado teria se relacionado com ministros relatores de casos específicos no Supremo Tribunal Federal.

Ministros mencionados não são investigados

As conversas mencionam os ministros Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes como possíveis destinatários da influência anunciada pelos investigados. A Polícia Federal, contudo, afirmou não existir elementos indicadores de solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Poder Judiciário.

No relatório, os investigadores esclareceram que os magistrados aparecem nos autos exclusivamente como destinatários cogitados da influência anunciada pelos suspeitos, nunca como investigados propriamente ditos.

Apreensão de numerário levanta questões

Dino assumiu relatoria de processo que trata da apreensão de quinhentos e dez mil reais em espécie no Aeroporto de Congonhas em agosto. Valéria Rodrigues Linhares alegou se tratar de pagamentos por serviços de advocacia prestados pela profissional.

A PF argumentou necessidade de medidas de busca apontando indícios de que vantagens indevidas eram pagas por transporte físico de numerário, dificultando comprovação via sistema bancário tradicional e exigindo registros informais de pagamentos.

Decisão nega buscas no gabinete parlamentar

O ministro Flávio Dino negou pedido da Polícia Federal para executar buscas no gabinete de Cezinha de Madureira na Câmara dos Deputados. Dino argumentou ausência de indícios de que o local seria utilizado para cometimento de crimes ou ocultação de provas.

Na fundamentação da decisão, o ministro afirmou que a argumentação apresentada era insuficiente para autorizar invasão de espaço parlamentar. A medida representa contenção do escopo investigativo em relação ao inquérito que apura as suspeitas.

Investigação segue seu curso

A defesa do deputado não se manifestou publicamente sobre as acusações documentadas no processo. A Agência Brasil mantém tentativas de contato com Cezinha de Madureira e sua equipe jurídica para obter posicionamento oficial sobre as alegações investigativas.

O caso segue tramitando sob relatoria do ministro Flávio Dino, que continuará avaliando pedidos de diligências apresentados pela Polícia Federal conforme evoluem os trabalhos investigativos sobre os crimes alegados.

Informações com Agência Brasil.

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