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Julgamento revela pessoa infiltrada para monitorar Marielle e ajudar na estratégia do assassinato; viúva e mãe da vereadora emocionadas

Há 8 meses
Atualizado terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Por Hylda Cavalcanti

Um dos momentos de mais emoção durante esta primeira etapa do julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes foi quando o sub-procurador de Justiça Hindemburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho relatou em detalhes a forma estratégica como foi infiltrada uma pessoa para acompanhar os passos da vereadora: Laerte Silva de Lima.

Ligado à organização criminosa formada por milicianos, policiais e políticos que já planejavam o assassinato, Laerte se filiou ao PSol para conviver com todos os integrantes da legenda, não despertou desconfianças e ficou próximo de muitos deles.

Num dos momentos do relato dos detalhes, Mônica Benício, a viúva de Marielle, saiu do local da sessão e foi para a ante sala localizada em frente aos elevadores, bebeu um copo de água e respirou fundo. “Tivemos vários sentimentos ao longo desse período: de emoção, de que a Justiça está sendo feita, de expectativa. Mas o meu sentimento neste momento é de muita raiva quando eu me lembro do Laerte”, desabafou.

“Muita traição e decepção”, diz a mãe

Já a mãe de Marielle, dona Marinete, que chorou muitas vezes durante a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes e manifestação do sub-procurador, contou que o que mais a deixou chocada foi o envolvimento do delegado responsável pela investigação, Rivaldo Barbosa, porque durante muito tempo ele se disse solidário.

Ele é acusado de ter feito de tudo para obstruir os trabalhos de investigação. “O doutor Rivaldo naquela época bateu nas nossas costas e prometeu que era uma questão de honra para ele resolver o caso da minha filha. Como é que pode? Eu senti alívio, achei que ali estava um homem que tinha compromisso com a instituição, com o povo brasileiro. Foi muita traição e decepção”, frisou Marinete.

A mãe da vereadora contou também que Rivaldo se dizia “amigo da Marielle” e garantiu à família que faria de tudo para elucidar o crime.

Irritação de criminosos com Marielle começou bem antes

Em sua fala, o sub-procurador destacou que a atividade principal do grupo que montou a emboscada para matar a vereadora e seus assessores, da qual uma delas escapou, consistia no parcelamento, uso e comercialização irregular do solo urbano, por prática de grilagem. “Milícias constituíam territórios eleitorais que trabalhavam para Domingos e Chiquinho Bazão”, explicou — referindo-se aos dois principais réus.

O sub-procurador destacou, também, que com a motivação dos crimes de homicídio, vinculados às organizações criminosas dedicadas à grilagem de terras, os irmãos Brazão fizeram uso de seus cargos públicos e de suas conexões políticas para viabilizar a expansão de negócios ilegais. E a irritação deles com Marielle teve início desde anos antes do crime.

“Em razão da sua atuação, Marielle se transformou em opositora ferrenha. Matá-la seria dominar a oposição política que ela personificava e fazer os outros opositores temerem o confronto e evitar imitar a postura que vinha sendo adotada por ela”, afirmou.

Movimentação grande da filha

O julgamento também foi marcado pela mudança de lugares, por várias vezes, da filha de Marielle, Luyara Franco, que se levantava, conversava com uma ou outra pessoa, visivelmente nervosa. A jovem contou que a morte da mãe à transformou, uma vez que estava saindo da adolescência.

“Eu tinha 19 anos quando tudo aconteceu, virei mulher do dia para a noite com o tamanho da responsabilidade de carregar esse legado de defesa de Direitos Humanos, sendo a única filha. Hoje, me vejo com muito mais maturidade e certeza da nossa luta e dos motivos pelos quais ela é importante”, destacou.

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