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Operações Sicarius: PF mira rede de contrabando e corrupção com mais de 100 mandados

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 9 de junho de 2026

Da Redação

Ação conjunta com Receita Federal e Corregedoria da PRF mira organização criminosa que atua em mais de dez estados e no exterior

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 9, duas operações simultâneas para desarticular uma organização criminosa que contrabandeia cigarros, importa agrotóxicos ilegalmente, falsifica documentos e lava dinheiro com a ajuda de servidores públicos corruptos. As Operações Sicarius I e Sicarius II mobilizaram agentes em pelo menos 20 cidades espalhadas por nove estados brasileiros.

A ação é realizada em conjunto com a Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal do Brasil. O epicentro das investigações é Guaíra, no oeste do Paraná — município na fronteira com o Paraguai, historicamente sensível ao tráfico de mercadorias ilegais.

O que a Justiça autorizou

O volume de mandados expedidos dá a dimensão do esquema. A 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra autorizou 44 prisões preventivas, 14 prisões temporárias e 62 buscas e apreensões. Além disso, foram determinados o bloqueio de 45 contas bancárias e o cancelamento de cinco CPFs e sete CNPJs ligados ao grupo.

Outras 67 ordens judiciais determinam a abertura de procedimentos fiscais contra empresas em 12 estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Alagoas e Pernambuco. A Justiça também autorizou medidas de cooperação jurídica internacional para rastrear bens, pessoas e estruturas criminosas fora do Brasil.

Como o esquema funciona

Segundo as investigações, a organização tem estrutura profissionalizada, com funções bem definidas entre os integrantes. Para esconder a origem do dinheiro obtido com os crimes, o grupo se valia de empresas de fachada, laranjas e outros mecanismos de ocultação de patrimônio — estratégia comum em organizações que operam simultaneamente no contrabando e na lavagem de dinheiro.

A presença de servidores públicos no esquema é um dos pontos mais graves apurados. A corrupção de agentes do Estado facilita o transporte e a liberação de cargas ilegais, comprometendo a fiscalização nas fronteiras e nas estradas.

Onde as ordens são cumpridas

As diligências alcançam cidades em dez estados. No Paraná, além de Guaíra, os agentes atuaram em Mandirituba, Piraquara, Fazenda Rio Grande, Cascavel, Ubiratã, Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama. Fora do estado, as ações chegaram a Praia Grande (SP), Canelinha e Imaruí (SC), Não-Me-Toque (RS), Nova Andradina, Maracaju, Mundo Novo e Eldorado (MS), Jandaia (GO) e Belém (PA).

O nome “Sicarius” remete ao latim e significa “assassino de aluguel” — uma referência histórica a grupos organizados e hierarquizados, o que reflete, simbolicamente, o perfil da organização investigada.

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