Da Redação
O agravamento do conflito militar entre Estados Unidos e Irã voltou a mexer com o mercado internacional de energia. Nesta quinta-feira (23), o petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 96 por barril, patamar mais alto desde o começo de junho, alimentando receios sobre uma nova onda de pressão inflacionária ao redor do mundo.
Por que o preço subiu tanto
O movimento de alta está diretamente ligado às restrições enfrentadas por navios que tentam cruzar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas usadas para o transporte de petróleo e gás natural. Por essa passagem circula uma parcela significativa de tudo o que é comercializado globalmente em energia, o que torna qualquer instabilidade na região extremamente sensível para os preços internacionais.
Segundo dados do mercado, o Brent chegou a subir mais de 2%, negociado perto de US$ 96,14 o barril, enquanto o WTI, referência usada nos Estados Unidos, também registrou alta, próxima a US$ 88,35. A diferença em relação ao início do mês é expressiva: há poucas semanas, antes de o conflito se intensificar, o barril do Brent era vendido por menos de US$ 72.
O que está acontecendo no conflito
Os ataques entre os dois países já somam quase duas semanas seguidas, com forças americanas confirmando novas ofensivas contra o Irã em dias recentes. Ambos os lados têm ampliado ações que afetam não apenas alvos militares, mas também estruturas civis, o que aumenta a instabilidade na região e, consequentemente, a insegurança em relação ao fornecimento de petróleo.
Qual o risco para a economia global
Com o petróleo mais caro, cresce a preocupação de que o custo da energia pressione toda a cadeia produtiva, encarecendo desde o transporte até bens de consumo. Para especialistas do mercado financeiro, esse cenário pode levar bancos centrais, como o Federal Reserve, a adotar uma postura mais cautelosa, mantendo os juros em patamares elevados por mais tempo ou até promovendo novas altas para conter a inflação.
Como reagiram as bolsas
Mesmo com o cenário de tensão, o desempenho das bolsas na Ásia foi majoritariamente positivo. O índice Kospi, da Coreia do Sul, teve forte valorização, impulsionado principalmente por empresas do setor de inteligência artificial. O Nikkei, do Japão, também fechou em alta, ainda que de forma mais modesta. Já em Wall Street, o clima foi de cautela, com os principais índices oscilando perto da estabilidade diante da incerteza gerada pela alta do petróleo.