Da redação
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi preso nesta sexta-feira (27) em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, pela Polícia Federal. A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Unha e Carne III, com mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Bacellar foi encaminhado à Superintendência da PF no Rio de Janeiro e, após o cumprimento das formalidades legais, será transferido ao sistema prisional do estado, onde ficará à disposição da Justiça.
Não é a primeira vez que o deputado cassado é detido. Bacellar já havia sido preso em dezembro do ano passado e responde pelo vazamento de informações sigilosas que culminou na obstrução da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025.
Denúncia do PGR e conexão com o crime organizado
Em 16 de março, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, denunciou Bacellar e outras seis pessoas ao STF. Entre os denunciados estão o ex-deputado conhecido como TH Joias e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto. As acusações envolvem obstrução de investigação de infração penal relacionada à organização criminosa armada, com participação de funcionário público que se valeu da condição para a prática dos crimes. Os demais denunciados são Jéssica de Oliveira Santos, Thárcio Nascimento Salgado e Thiego Raimundo de Oliveira Santos.
A denúncia foi apresentada na (Pet) 14959 e se insere no contexto do Inquérito 5020, instaurado por determinação do STF no âmbito da ADPF 635 — a chamada ADPF das Favelas. A ação investiga crimes com repercussão interestadual e internacional e apura a atuação dos principais grupos criminosos violentos ativos no Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho (CV), e suas conexões com agentes públicos.
Cassação pelo TSE e impacto nas vagas da Alerj
Além da prisão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a cassação de seu mandato de deputado estadual por envolvimento no escândalo da Ceperj — o mesmo esquema que resultou na perda de mandato e na inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro, que renunciou ao cargo na segunda-feira (23).
A cassação terá impacto direto na composição da Alerj. A decisão do TSE determina a exclusão dos votos recebidos por Bacellar nas eleições de 2022 e a realização da chamada retotalização — um procedimento que recalcula toda a distribuição das vagas com base nos votos válidos restantes. A recontagem está marcada para terça-feira (31) e pode alterar não apenas a vaga ocupada por Bacellar, mas também outras cadeiras na assembleia legislativa estadual.
Acesse a decisão do Ministro Alexandre de Moraes na íntegra aqui.
