Da Redação
Depois de um feriadão turbulento, marcado por polêmicas no Judiciário em torno de decisões sobre os grupos de Whatsapp usados neste período de segundo turno das eleições e a menos de duas semanas do pleito, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, se reúne nesta terça-feira (13/10) com representantes da campanha dos presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Lula (PT).
A reunião será realizada em meio a uma onda recorde de judicialização das eleições e da disputa de decisões em torno da suspensão ou manutenção do canal no WhatsApp chamado de “Exército do Lula”.
O canal reúne mais de 4 milhões de inscritos e foi criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para mobilizar a militância nas redes sociais em torno da reeleição do presidente Lula. A campanha de Flávio acionou o TSE pela suspensão do canal, e o tema foi palco de troca de decisões de ministros ao longo do fim de semana.
Outra guerra de liminares
Isto porque o ministro Nunes Marques inicialmente determinou a suspensão do canal. Logo depois, o relator designado, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu sua decisão e manteve o funcionamento do canal. Cueva ainda encaminhou o caso para uma apreciação “urgente” do plenário virtual da Corte. O responsável por definir quando o colegiado vai analisar o tema é o próprio Kassio.
Como se não bastasse esse “libera – não libera” do grupo, nesta segunda-feira (12/10), o presidente do TSE determinou que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação (AEED) da Corte apurasse a circulação dos conteúdos do canal “com máxima urgência”. A área técnica, no entanto, informou que não identificou fake news citadas pela campanha do senador no canal.
Versões diferentes
“No período examinado, não se verificou a difusão das afirmações examinadas nos autos”, disse a assessoria técnica. A AEED comparou os conteúdos do grupo com aqueles mencionados pelo ministro Kassio Nunes Marques na decisão pela suspensão do canal, proferida ontem e depois revertida pelo relator do caso.
O magistrado apontou que o conteúdo ligava Flávio à milícia, à redução de aposentadorias e a notícia falsa da retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
Por outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro manteve críticas ao canal e afirmou que encaminhará ao TSE um novo relatório técnico sobre o conteúdo veiculado nele. O documento da campanha do candidato do PL enfatiza que a assessoria técnica não identificou notícias falsas no canal, mas ressalva que existem duas postagens no canal que podem ter o mesmo tema que os conteúdos derrubados pela Corte liminarmente, que relacionam Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a mudanças na Constituição.
— Com Agências de Notícias