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STJ decide nesta terça se Deolane Bezerra sai da prisão

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 9 de junho de 2026

Da Redação

Influenciadora está presa desde maio suspeita de lavar dinheiro para o PCC; defesa pede substituição por prisão domiciliar

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) se reúne nesta terça-feira (9) para analisar um recurso da defesa de Deolane Bezerra, advogada e influenciadora digital presa preventivamente desde 21 de maio. O julgamento pode determinar se ela continua atrás das grades ou conquista o direito de responder ao processo em liberdade.

Deolane é suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), se associar ao tráfico de drogas e integrar a organização criminosa. A prisão ocorreu após uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo.

O que a defesa pede ao STJ

Os advogados da influenciadora argumentam que não existem motivos legais suficientes para mantê-la presa. Segundo eles, as provas já estão em poder das autoridades, o que afastaria o risco de destruição de evidências. Além disso, alegam que os fundamentos usados para decretar a prisão são genéricos e não apontam fatos concretos recentes — os eventos investigados datam de 2018 a 2021.

A defesa também pede que a prisão preventiva seja convertida em domiciliar. O argumento é que Deolane é mãe de uma criança de 9 anos e a única responsável pelos cuidados da filha. Como alternativa à prisão, os advogados sugerem medidas como entrega do passaporte, proibição de deixar a cidade e impedimento de contato com outros investigados.

O que dizem os investigadores

Para a polícia, o caso é grave. Relatórios apontam que Deolane movimentou R$ 13,6 milhões em contas pessoais entre 2018 e 2022. Outras três empresas em seu nome teriam registrado movimentações de mais R$ 14 milhões no mesmo período.

Os investigadores identificaram ainda empresas fantasmas registradas no nome da influenciadora em cidades do interior de São Paulo, próximas ao presídio de Presidente Venceslau. Esses endereços seriam compartilhados com dezenas de outras firmas de fachada, o que reforçaria, segundo a polícia, a suspeita de que o grupo continuava em atividade no momento das prisões.

Como o caso chegou ao STJ

O pedido de liberdade não chegou diretamente à Quinta Turma. Em uma primeira tentativa, a presidência do STJ barrou a análise sob o argumento de que o caso ainda não havia sido completamente julgado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo — instância que precede o STJ na hierarquia judicial.

A defesa recorreu dessa decisão e conseguiu levar o tema a julgamento colegiado. São cinco ministros que votarão nesta terça sobre a possibilidade de soltar ou manter presa a influenciadora.

Um histórico longo de investigações

Esta não é a primeira vez que Deolane enfrenta problemas com a Justiça. Em julho de 2022, a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão em sua mansão em Alphaville, investigando lavagem de dinheiro ligada a uma empresa de apostas esportivas.

Em setembro de 2024, ela foi presa pela primeira vez, durante a Operação Integration, em Recife. O esquema investigado naquele caso teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões em lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Após disputas jurídicas, ela obteve habeas corpus. Mais recentemente, em abril de 2026, a Polícia Federal incluiu Deolane na Operação Narco Fluxo, que investigava o uso do meio artístico para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas — inclusive com suspeita de que sua conta bancária funcionava como “conta de passagem” para recursos ligados ao envio de cocaína ao exterior.

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