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Conflito toffoli X PF

Toffoli impõe novo cronograma e restringe depoimentos da PF a dois dias

Há 9 meses
Atualizado sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) reduza o cronograma de depoimentos dos investigados no inquérito sobre suspeitas de fraudes em transações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A decisão foi tomada uma semana antes do início previsto das oitivas, inicialmente programadas para ocorrer entre os dias 23 e 28 de janeiro. Agora, os 11 investigados deverão ser ouvidos em apenas dois dias.

Mudança sem pedido prévio surpreende defesa

A alteração do cronograma não partiu de nenhum pedido das partes envolvidas. Ainda assim, em despacho assinado na última terça-feira (9), Toffoli justificou a mudança com base em “limitações de pessoal” e na “disponibilidade de salas” no STF. A decisão também prorrogou por mais 60 dias o prazo para conclusão do inquérito, conforme solicitação da PF, embora as justificativas para esse pedido não tenham sido detalhadas no despacho.

As defesas dos investigados foram comunicadas de que os depoimentos anteriormente agendados estão cancelados e serão remarcados. As novas audiências ocorrerão na sede do STF, com possibilidade de realização por videoconferência.

Delegada terá apenas dois dias para ouvir 11 investigados

Com a decisão, a delegada Janaína Palazzo, responsável pela investigação, terá dois dias para ouvir todos os citados. Entre os nomes estão Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Ambos já haviam sido ouvidos anteriormente, em 30 de dezembro, também por determinação de Toffoli, que chegou a ordenar uma acareação entre os dois.

Além deles, serão interrogados cinco ex-executivos do Banco Master, dois ex-dirigentes do BRB e dois empresários. A expectativa da Polícia Federal é apresentar um relatório final desta frente da investigação após a conclusão das oitivas.

Tensão entre Toffoli e PF marca andamento do inquérito

A decisão mais recente se insere em um histórico de tensão entre o ministro do STF e a Polícia Federal. Nos últimos meses, Toffoli tem demonstrado desconforto com a atuação da corporação, inclusive fazendo críticas públicas em decisões relacionadas ao caso.

As investigações sobre os negócios entre o Banco Master e o BRB já foram alvo de decisões polêmicas e reviravoltas. Essa nova intervenção reforça o clima de disputa nos bastidores do inquérito e aumenta a pressão sobre a PF, que agora precisará reorganizar todo o cronograma de forma condensada, respeitando a nova determinação do Supremo.

Ao justificar a medida, Toffoli afirmou em sua decisão:

“Diante do cronograma sugerido pela autoridade policial para as oitivas por mim autorizadas desde o dia 15 de dezembro de 2025 e considerando as limitações de pessoal e disponibilidade de salas nas dependências desta Suprema Corte, determino que as referidas oitivas sejam realizadas, no máximo, em dois dias, devendo-se apresentar novo cronograma.”

Com isso, as oitivas que ocorreriam ao longo de uma semana terão que ser concentradas em 48 horas, o que poderá impactar o ritmo e a qualidade dos depoimentos. O Ministério Público e as defesas acompanham de perto os desdobramentos e os efeitos práticos da decisão.

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