Da Redação
A vice-governadora Celina Leão (PP) assumiu o comando do Governo do Distrito Federal nesta segunda-feira (30), em cerimônia realizada na Câmara Legislativa do DF, após a renúncia do governador Ibaneis Rocha (MDB). A posse marca não apenas uma transição política, mas também a herança de um dos maiores escândalos financeiros da história do banco público distrital.
A posse e o rito institucional
A sessão solene teve início às 9h e foi transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital. O evento seguiu protocolo formal: primeiro o pronunciamento do governador que deixava o cargo, depois a transmissão da faixa governamental e, em seguida, as palavras de Celina Leão já investida na função.
O encerramento ficou a cargo do presidente da Câmara Legislativa, o deputado Wellington Luiz (MDB). Além de Celina e Ibaneis, também marcaram presença na cerimônia a ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Continuidade e responsabilidade institucional
Ao comentar a mudança no Executivo distrital, o presidente da CLDF, Wellington Luiz, afirmou à Agência CLDF que a transição representa “um processo inerente à dinâmica institucional do Distrito Federal” e que o mais relevante é garantir que ocorra “de forma responsável, pautada pelo diálogo e pelo respeito às instituições.”
O parlamentar também destacou as expectativas para o novo governo. Wellington Luiz ressaltou que Celina inicia uma nova etapa “em um momento que exige serenidade, responsabilidade e diálogo”, com expectativa de continuidade das políticas públicas e do compromisso com o desenvolvimento da região.
Sete anos de mandato e a sombra do BRB
Ibaneis encerrou o mandato exatamente um ano depois do anúncio da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), escândalo que o colocou diante da maior crise desde que foi eleito em 2018. O BRB precisa cobrir prejuízos nos negócios feitos com o Banco Master, alvo de investigação da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
O dono do Master, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em novembro de 2025, após ser alvo de operação da PF que apura uma série de fraudes por parte do banco. Com sua liquidação decretada pelo Banco Central, o Master é investigado por suspeita de manipulação de balanços e operações financeiras irregulares. A negociação se transformou em escândalo bilionário quando se descobriu que os ativos oferecidos ao BRB eram fraudulentos, sem lastro real.
Ibaneis nega conhecimento e mira o Senado
Em entrevista ao Metrópoles em sua última semana como governador, Ibaneis declarou que “nunca tinha ouvido falar o nome do banqueiro Daniel Vorcaro e Banco Master na história” e que esteve na casa de Vorcaro para um almoço em que falaram sobre “avião e vinhos”, negando ter tratado da compra do Master pelo BRB.
Questionado se sabia que o BRB comprou R$ 16 bilhões em carteiras de crédito suspeitas de serem falsas do Master, Ibaneis negou.
Pedidos de impeachment e desgaste político
Ibaneis foi alvo de pedidos de impeachment, todos barrados pelo presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz (MDB). Três requerimentos para a abertura de uma CPI foram apresentados, mas nenhum deles conseguiu o número mínimo de assinaturas para avançar.
No mês anterior à sua saída, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, saiu da base aliada de Ibaneis. O partido anunciou que pretende lançar duas candidatas ao Senado na chapa de Celina: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) — arranjo que deixa Ibaneis de fora do acordo.
A nova governadora e o cenário eleitoral
Celina foi eleita vice-governadora do DF na chapa de Ibaneis no primeiro turno das eleições de 2022 e recebeu o apoio oficial do PL para o comando do governo distrital. Antes do Buriti, ela acumulou passagens como deputada distrital e federal, além da Secretaria de Esporte e Lazer e da presidência da própria CLDF, entre 2015 e 2016.
Ao anunciar a pré-candidatura ao Senado durante a cerimônia de aniversário de Ceilândia, Ibaneis declarou ao Correio Braziliense: “Eu deixo o GDF, mas não deixo a vida pública e nem vocês, porque amo cada um e cada uma.” Celina herda o governo, a crise do BRB e o desafio de se firmar como candidata ao Palácio do Buriti em outubro.
