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Dino retira sigilo de investigações sobre esquema de corrupção no Maranhão; suspeita atinge senador, deputado e cinco empresas

Há 13 horas
Atualizado sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Por Carolina Villela

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de três decisões das investigações que apuram um suposto esquema de corrupção, desvio de emendas parlamentares e obstrução de justiça no Maranhão. Além de determinar o afastamento do policial federal Edvar Rodrigues dos Santos, suspeito de vazar informações sigilosas, o ministro autorizou buscas e apreensões, bloqueio de bens e suspensão de contratos públicos envolvendo cinco empresas apontadas como parte de um “ecossistema empresarial criminoso” no estado.

O caso é apurado nas (Pets) 15437 e 15.438. As medidas atingem as empresas Vigas Engenharia Ltda, EMA – Empreendimentos do Maranhão EIRELI, Gás do Sertão Ltda (matriz e filial) e I.S. Guimarães Ltda, além de pessoas físicas ligadas a elas. A decisão também menciona a existência de indícios que envolvem o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o deputado federal Josimar “Maranhãozinho”, este já condenado pelo STF em outro processo por corrupção.

Afastamento de policial federal por vazamento de dados

Na mesma frente de apuração, Dino já havia determinado o afastamento cautelar do policial federal Edvar Rodrigues dos Santos de suas funções, com base em indícios de que o agente teria tomado conhecimento indevido de uma investigação sigilosa e orientado Gilbson Cézar Soares Cutrim sobre o sigilo das tratativas do caso. Os autos apontam 19 interações entre os dois, registradas em fevereiro de 2026, incluindo mensagens de texto e ligações telefônicas.

O caso ganha contornos adicionais por envolver o filho de Gilbson, condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, morto em agosto de 2022 no Maranhão — crime que, segundo a Polícia Federal, estaria na origem de toda a cadeia de eventos investigada, incluindo manipulações em nomeações no Tribunal de Contas do Estado.

Edvar já havia sido demitido da Polícia Federal em 2019 por vazar dados sigilosos durante a Operação Capitanias Hereditárias/Donatários, quando teria repassado a lideranças políticas do Maranhão o conteúdo de interceptações telefônicas judicialmente autorizadas.

Conexão com senador Weverton Rocha e uso de emendas parlamentares

A decisão do STF revela que dados extraídos do celular do senador Weverton Rocha foram compartilhados com a investigação mediante autorização do ministro André Mendonça, a partir de uma apreensão anteriormente decretada por ele. A competência do STF nas apurações, segundo Dino, decorre justamente da distribuição de um habeas corpus que questionava a atuação do ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, em razão de suposta interferência do senador.

Segundo o inquérito, o senador estaria atuando junto ao ministro do STJ para atrapalhar que atingia a família Brandão, que é atualmente o eixo de poder no governo do Maranhão, liderado pelo governador Carlos Brandão (MDB).

O núcleo mais recente da investigação, no entanto, concentra-se no uso irregular de emendas parlamentares — incluindo “Emendas de Relator” e recursos indicados pelo deputado Josimar Maranhãozinho — em contratos públicos executados por empresas do grupo investigado. Segundo a Polícia Federal, esse esquema teria drenado recursos federais destinados a obras e serviços em municípios maranhenses, como Colinas e São Félix de Balsas.

A empresa I.S. Guimarães, ligada a Josimar segundo as investigações, teria recebido cerca de R$ 14,7 milhões da Vigas Engenharia e enviado outros R$ 2,6 milhões à Gás do Sertão, num fluxo financeiro que a Polícia Federal descreve como possível esquema de “contas de passagem” para dissimular a origem e o destino de valores públicos.

Ex-deputado Carlos Brandão apontado como possível sócio oculto

Segundo os autos, o ex-deputado federal Carlos Orleans Brandão Junior é apontado pela Receita Federal como possível sócio oculto da Vigas Engenharia. A conclusão se baseia no cruzamento de notas fiscais eletrônicas emitidas em nome do parlamentar, que teriam usado o mesmo e-mail e número de telefone normalmente associados à empresa — em alguns casos, com o CNPJ da Vigas atribuído ao “Escritório do Dep. Carlos Brandão”.

A Polícia Federal também identificou indícios de que sócios formais de empresas do grupo atuariam como “laranjas”, já que declaravam rendimentos incompatíveis com o porte das companhias que representavam — em um dos casos, uma vendedora com renda mensal de R$ 2.375 figurava como titular de cotas avaliadas em R$ 1,5 bilhão.

Bloqueio de bens e suspensão de contratos

Com base nesses elementos, Dino determinou o bloqueio de valores das cinco empresas investigadas, somando cerca de R$ 19,5 milhões, além da suspensão de todos os contratos públicos em vigor e da proibição de participação em novas licitações. A decisão também autoriza busca e apreensão pessoal e domiciliar contra Francisco José Cruz Silva e Raimundo Sérgio Souza Dutra, apontados como possíveis “testas de ferro” do esquema, além das sedes das quatro empresas do grupo.

Segundo a Controladoria-Geral da União, ao menos cinco licitações conduzidas pela prefeitura de Colinas apresentaram indícios de direcionamento em favor das empresas investigadas, somando contratos que ultrapassam R$ 10,7 milhões. O ministro determinou que o sigilo de todos os processos relacionados seja mantido até que a Polícia Federal confirme o cumprimento das medidas, com prazo de 15 dias para execução das diligências.

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