Da Redação
O Senado do Paraguai ouve nesta sexta-feira (6) a defesa do presidente Santiago Peña no julgamento de impeachment. O processo continua porque o Congresso recusou a renúncia apresentada por ele na quinta-feira (5). A crise começou com a quebra do Banco Ueno, ligado a um grupo do qual Peña foi sócio até 2025. Para afastá-lo, são necessários os votos de pelo menos 30 dos 45 senadores.
Congresso recusou a renúncia
Na manhã de quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou, sem nenhum voto contrário, a abertura do impeachment. Pouco depois, Peña divulgou um vídeo anunciando que deixaria o cargo.
Na gravação, ele pediu desculpas às pessoas que ficaram sem acesso ao próprio dinheiro e disse que tomava a decisão pela estabilidade do país. “Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, afirmou.
A saída, porém, dependia do aval do Congresso, que votou o pedido em sessão conjunta e não o aceitou. Com isso, o julgamento seguiu adiante.
A sessão está prevista para as 10h. Peña pode ir pessoalmente ao Senado ou mandar um advogado para falar em seu nome.
Esta é a segunda etapa do julgamento. Na primeira, realizada na noite de quinta-feira (5), os parlamentares ouviram as acusações contra o presidente e escolheram o grupo de senadores que vai conduzir o caso.
Como funciona o julgamento
O processo foi dividido em cinco fases, segundo o presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez. Ele explicou que não dá para resolver tudo em um único dia, porque é preciso seguir todas as regras para evitar que a decisão seja contestada na Justiça.
Depois da defesa, os senadores vão examinar as provas reunidas pelos dois lados. Em seguida, acusação e defesa fazem suas falas finais. Só no fim desse caminho acontece a votação.
O que está em jogo para Peña
Para que o presidente seja afastado, é preciso o apoio de dois terços do Senado, ou seja, 30 votos. Se isso acontecer, Peña perde o mandato e também o direito de se tornar senador vitalício.
No Paraguai, quem termina o mandato ou renuncia à Presidência ganha uma cadeira vitalícia no Senado. O cargo garante imunidade parlamentar, o que dificulta que a pessoa seja processada.
Se o impeachment for aprovado, quem assume é o vice-presidente, Pedro Alliana, que governará até agosto de 2028, quando termina o mandato atual. Se Peña for absolvido, continua no cargo.
A quebra do banco que deu início à crise
Tudo começou com o fechamento do Banco Ueno, do Grupo Vázquez, na terça-feira (3). O Banco Central do Paraguai decidiu liquidar a instituição porque ela não tinha dinheiro suficiente para cumprir seus compromissos.
O impacto foi grande: o banco atendia cerca de 3 milhões de clientes e guardava aproximadamente US$ 850 milhões em dinheiro público, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, de mudar regras de forma indevida e de irregularidades com recursos da previdência. Os parlamentares também dizem que o Banco Central teria escondido os problemas do banco.
Por que a oposição rejeitou a saída do presidente
Para a oposição, aceitar a renúncia abriria caminho para Peña virar senador vitalício e ganhar proteção contra processos. O senador Líder Amarilla afirmou ao jornal ABC Color que, nesse cenário, a Promotoria não conseguiria acusá-lo e o dinheiro desviado ficaria sem punição.
Já os aliados do governo defendiam que aceitar a renúncia seria a forma mais rápida de acabar com a crise e passar o poder ao vice. Segundo eles, se a Promotoria pedisse, o Senado ainda poderia avaliar a retirada da imunidade de Peña.