Da Redação
Banqueiro preso desde março, Daniel Vorcaro tenta fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Mas o caminho até o acerto está mais longo do que sua defesa esperava: os investigadores deixaram claro que as mensagens encontradas no celular dele são apenas o ponto de partida — e que será preciso muito mais do que isso para que o acordo seja fechado.
Conforme publicado pelo Estadão, os investigadores da PF e da PGR pedem provas inéditas além do celular apreendido. A negociação ainda está na fase inicial e prazo de 45 dias pode não ser cumprido.
Celular é só o começo
A PF apreendeu o aparelho de Vorcaro em novembro do ano passado, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. As conversas extraídas do dispositivo serviram de base inicial para as negociações, mas os investigadores foram diretos com a defesa: explicar os diálogos já conhecidos não basta.
Na avaliação da PF e da PGR, o celular representa o “piso” da delação — ou seja, o mínimo que se tem. A partir daí, espera-se que Vorcaro apresente informações e documentos completamente novos, que ainda não fazem parte do material já coletado pelas autoridades.
Advogados trabalham nos bastidores
Preso em 4 de março, Vorcaro começou a estruturar seu acordo duas semanas depois, quando foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília. Ele assinou um termo de confidencialidade — o primeiro passo formal do processo — mas ainda não entregou os chamados “anexos”, que funcionam como um roteiro dos temas que serão abordados nos depoimentos.
Nas últimas semanas, seus advogados têm ido diariamente ao local para ouvir o cliente e montar esse material. A entrega dos anexos é considerada urgente pela defesa porque é ela que abre a negociação de fato: é nesse momento que se discutem pena, ressarcimento e, eventualmente, a possibilidade de Vorcaro voltar para casa — algo que integrantes da PF e da PGR consideram improvável por ora.
Prazo de 45 dias deve ser insuficiente
A defesa havia estipulado um prazo inicial de 45 dias para concluir os anexos e colher os depoimentos formalmente. Mas pessoas próximas à família do banqueiro já admitem que esse cronograma dificilmente será cumprido.
Os investigadores, por sua vez, afirmam não ter pressa. A postura deles é de que o processo vai durar o tempo que for necessário para reunir um conjunto de provas sólido e relevante. A estimativa é que as negociações se estendam ainda por vários meses.
Ressarcimento ao erário é nó a ser desatado
Um dos pontos mais delicados da negociação nem sequer entrou em pauta ainda: o valor que Vorcaro terá que devolver aos cofres públicos. Para os investigadores, o banqueiro precisará revelar o tamanho real de seu patrimônio — inclusive eventuais contas no exterior — para que o cálculo seja feito de forma adequada.
A orientação é que o valor não seja nem irreal nem simbólico: o ressarcimento deve ser compatível com os prejuízos causados ao Banco Regional de Brasília (BRB) e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que desembolsou mais de R$ 50 bilhões para quitar as dívidas com os credores do banco Master.