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Ministro Edson Fachin, presidente do STF e do CNJ

Fachin dá prazo de 72 horas para Mendonça responder a pedido da AGU sobre afastamento de diretor da PF

Há 2 meses
Atualizado quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Da Redação

A Advocacia-Geral da União recorreu ao presidente do STF contra decisão individual que afastou Andrei Rodrigues do comando da corporação, alegando invasão de competência do presidente da República.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, estabeleceu um prazo de 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU). O órgão quer suspender a decisão que afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo.

O que pede a AGU

O pedido foi protocolado nesta terça-feira (8) pelo advogado-geral da União, Jorge Messias. Segundo o documento, a medida tomada por Mendonça causa “grave lesão à ordem pública e administrativa” e fere uma prerrogativa que seria exclusiva do presidente da República: escolher e destituir quem comanda a Polícia Federal.

A petição também chama atenção para os efeitos práticos da mudança repentina na chefia do órgão, apontando risco de desorganização nas atividades de investigação policial em andamento no país.

A AGU pediu uma liminar — decisão rápida e provisória — para reverter imediatamente o afastamento, além de solicitar que o mérito da questão seja avaliado depois, em caráter definitivo. Pela legislação, o único requisito para alguém assumir a direção-geral da PF é pertencer à classe especial da carreira de delegado federal.

Por que Mendonça afastou o diretor da PF

A decisão de Mendonça, que também tirou do cargo o diretor de inteligência Leandro Almada da Costa, partiu de denúncias de que a cúpula da PF teria monitorado de forma irregular o próprio ministro e o advogado-geral da União. A suspeita envolve a produção de relatórios de inteligência sem identificação de autoria, usados para acompanhar as duas autoridades.

Além do afastamento, a decisão determinou a abertura de investigações criminais e disciplinares na Corregedoria da PF para apurar como esses relatórios foram produzidos. Também proibiu, dali em diante, a elaboração de qualquer material de inteligência que tenha como alvo magistrados, advogados públicos ou a própria atividade de investigação policial.

Julgamento no STF ficou suspenso

O caso já havia sido levado a um julgamento eletrônico na Segunda Turma do STF, colegiado menor formado por parte dos ministros da Corte. Até o momento, três votos haviam sido registrados a favor de manter o afastamento — os de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques.

O andamento, porém, parou depois que o ministro Gilmar Mendes pediu vista, mecanismo que permite a um magistrado suspender a análise para estudar o processo com mais tempo. Enquanto isso não se resolve, prevalece a decisão individual de Mendonça, e Andrei Rodrigues segue afastado do cargo.

Repercussão dentro da corporação

A saída do diretor-geral gerou reação entre policiais federais. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais defendeu que a decisão sobre o afastamento seja levada ao plenário completo do STF, hoje composto por dez ministros, e não fique restrita a um colegiado menor. Já os diretores da própria Polícia Federal divulgaram nota de apoio a Andrei Rodrigues e colocaram seus cargos à disposição. Com o afastamento, quem assumiu interinamente o comando da corporação foi o delegado William Marcel Murad, até então número dois na hierarquia do órgão.

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