Da Redação
O Brasil deve crescer 1,8% neste ano. A previsão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento. O número foi divulgado nesta quinta-feira (9), na edição de número 70 da Carta de Conjuntura, publicação periódica do instituto sobre a situação da economia brasileira.
A projeção leva em conta o cenário internacional turbulento, marcado pela guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã — conflito que gerou incertezas nos mercados e pressionou o preço do petróleo no mundo todo.
Para 2027, o Instituto mantém otimismo moderado apesar das tensões geopolíticas e projeta expansão de 2%.
Otimismo com cautela
Mesmo reconhecendo que o mundo atravessa o momento de maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria (1947–1991), o Ipea afirma haver razões para um “otimismo moderado”. O argumento central é que a economia brasileira tem demonstrado uma resiliência própria, sustentada por fatores internos que não dependem diretamente do que acontece lá fora.
Entre esses fatores, o instituto destaca o crescimento contínuo da renda das famílias e a expansão do crédito oferecido pelo sistema financeiro nacional. Segundo o Ipea, essas duas forças seguem firmes e ajudam a blindar, ao menos em parte, o desempenho da economia doméstica.
Consumo e crédito como motores
O consumo das famílias é apontado como um dos principais motores do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) — a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Esse consumo tem sido impulsionado pelo aumento real do salário mínimo, ou seja, um reajuste acima da inflação, o que coloca mais poder de compra nas mãos dos trabalhadores.
Já o crédito em expansão abre caminho para os investimentos privados, outro componente importante no cálculo do crescimento. Além desses dois fatores, o PIB também é influenciado pelos gastos do governo e pelo saldo entre o que o Brasil exporta e o que importa.
Gastos públicos e comércio exterior
No campo das contas públicas, o Ipea indica que o governo deve manter a política do novo arcabouço fiscal, combinando aumento dos gastos sociais — puxados pela valorização do salário mínimo e pela reindexação das despesas com saúde — com crescimento das receitas.
No comércio exterior, o instituto avalia que o Brasil pode se beneficiar indiretamente das chamadas “políticas fiscais expansionistas” adotadas por outros países, motivadas pelos investimentos em inteligência artificial e pelos gastos militares decorrentes do conflito no Oriente Médio. O Ipea lembra ainda que, quando a guerra na Ucrânia eclodiu, em fevereiro de 2022, o comércio mundial ainda assim cresceu 5,8% naquele ano.
Melhor desempenho em três quadriênios
Se a previsão se confirmar, o Brasil terá acumulado um crescimento de 10,7% no período de quatro anos entre 2023 e 2026. Esse resultado seria expressivo em comparação com os dois ciclos anteriores: entre 2019 e 2022, o PIB acumulado foi de 5,7%; entre 2015 e 2018, chegou a 9,9%.
Vale lembrar que o Ipea acertou a projeção do ano passado, quando previu crescimento de 2,3% — número que se confirmou. Para 2027, a estimativa do instituto é de crescimento de 2%.