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Oposição pressiona por impeachment de Moraes, mas Motta e Alcolumbre resistem

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Da Redacão

A tensão política escalou no Congresso Nacional nesta semana, com parlamentares da oposição ocupando as mesas diretoras da Câmara e do Senado. O movimento visa pressionar por três pautas prioritárias: impeachment do ministro Alexandre de Moraes, anistia aos condenados de 8 de janeiro e fim do foro privilegiado. A mobilização ganhou força após Moraes decretar prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira (4).

Em resposta, deputados e senadores bolsonaristas ocuparam os plenários na terça-feira (5), no primeiro dia após o recesso parlamentar, forçando o cancelamento das sessões. “Não haverá paz no Brasil enquanto não houver discurso de conciliação”, afirmou o líder do PL, Sóstenes Cavalcante. O vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), ameaçou pautar a anistia caso Hugo Motta se ausente do país.

34 senadores apoiam impeachment de Moraes

Segundo levantamento do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), divulgado pelo site “votossenadores.com.br”, 34 dos 81 senadores se manifestaram favoráveis ao impeachment de Moraes. Outros 19 são contrários e 28 permanecem indefinidos, número ainda insuficiente para os 54 votos necessários (dois terços do plenário). A pressão se intensificou após sanções dos Estados Unidos contra Moraes, baseadas na Lei Magnitsky.

As sanções impedem o ministro de realizar transações com instituições financeiras norte-americanas. A medida foi vista pela oposição como legitimação de suas críticas ao magistrado, que acusam de violações de direitos fundamentais. O movimento conta com apoio de senadores como Tereza Cristina (PP-MS) e deputados como Rodolfo Nogueira (PL-MS).

Motta e Alcolumbre descartam confronto com STF

Fontes próximas aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicam resistência ao avanço dessas pautas. Parlamentares de centro avaliam que os bolsonaristas estão politicamente isolados e que o Congresso deve focar em questões econômicas. Desde o início dos mandatos, ambos mantêm relações próximas com ministros do STF, incluindo Moraes.

Alcolumbre qualificou a ocupação das mesas como “exercício arbitrário das próprias razões, algo inusitado e alheio aos princípios democráticos”. Em nota, fez um chamado “à serenidade e ao espírito de cooperação” e anunciou reunião com líderes partidários. Hugo Motta determinou o encerramento das sessões e antecipou retorno de viagem ao Ceará.

As atividades do Congresso foram suspensas por dois dias consecutivos devido à obstrução da oposição. Motta cancelou as sessões de terça e quarta-feira, prometendo reunião de líderes para normalizar os trabalhos. “O Parlamento deve ser a ponte para o entendimento”, declarou o presidente da Câmara, reafirmando que a pauta será definida “com base no diálogo”.

Alcolumbre recebeu em casa líderes de bancada, incluindo Weverton Rocha (PDT-MA), Omar Aziz (PSD-AM) e Jaques Wagner (PT-BA). A oposição promete manter a obstrução até que suas demandas sejam atendidas, configurando um dos momentos de maior tensão desde a posse dos novos presidentes. Analistas consideram baixas as chances de aprovação do impeachment, dada a resistência institucional e o número insuficiente de votos no Senado.

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