A Polícia Federal entregou nesta quinta-feira (17) aos ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O compartilhamento ocorreu depois de pedidos apresentados pelos dois magistrados à corporação.
O material é o mesmo conjunto de informações anteriormente encaminhado aos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Com a entrega, cinco integrantes do Supremo passaram a ter acesso ao acervo extraído do aparelho apreendido durante as investigações relacionadas ao Banco Master.
Fux e Mendonça solicitaram os dados na quarta-feira (16), um dia depois da sessão convocada pelo STF para discutir a abertura de investigação relacionada às mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Dados já haviam sido entregues a outros ministros
A discussão sobre o compartilhamento do conteúdo ganhou força antes da sessão de terça-feira (15). Zanin havia solicitado a Mendonça, então relator do caso Master, acesso aos dados extraídos do aparelho, sob o argumento de que precisava do material para formar sua convicção no julgamento.
Mendonça respondeu que os elementos necessários à análise já estavam disponíveis e afirmou que a divulgação integral poderia prejudicar investigações em andamento. Informou ainda que havia em seu gabinete uma cópia dos dados encaminhada anteriormente pela PF, mantida lacrada e sem ter sido manuseada por ele.
Posteriormente, a Polícia Federal informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que mantinha sob sua custódia o material original e tinha condições de fornecer cópias idênticas aos ministros, preservando a cadeia de custódia. Zanin e Gilmar solicitaram então os dados diretamente à corporação.
Fux pede acesso após divulgação de mensagens
O pedido de Fux foi apresentado depois da divulgação de mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro que mencionam seu filho, o advogado Rodrigo Fux. Reportagens publicadas nesta semana mostraram diálogos entre o advogado e o ex-controlador do Master.
Em nota divulgada após a publicação das mensagens, o escritório Fux Advogados afirmou que nunca prestou serviços nem recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos relacionados ao grupo.
Também foram divulgadas mensagens com referências ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Nesta quinta-feira, Kassio também solicitou oficialmente à PF acesso aos dados brutos extraídos do celular.
Material permanece sob custódia da PF
A entrega aos ministros não significa a transferência do aparelho ou do material original apreendido. A Polícia Federal informou anteriormente ao STF que mantém sob sua custódia os dados originais e que as cópias podem ser reproduzidas de forma idêntica, com mecanismos destinados a preservar sua integridade.
O compartilhamento permite aos gabinetes acesso ao conjunto de mensagens, registros e arquivos extraídos do aparelho. A existência de nomes ou referências a autoridades e familiares no conteúdo, por si só, não representa conclusão sobre eventual prática de irregularidades.
Com os pedidos apresentados nesta semana, o conteúdo já foi encaminhado a Zanin, Gilmar, Moraes, Mendonça e Fux. Kassio Nunes Marques tornou-se o sexto ministro a solicitar acesso ao acervo mantido pela Polícia Federal.