Da Redação
A Justiça de Pernambuco decretou a prisão preventiva do influenciador digital Emerson Freitas (MDB), eleito deputado estadual nas eleições de outubro, por suspeita de envolvimento em um esquema de extorsão contra uma mulher vítima de violência doméstica.
A decisão foi proferida na quinta-feira (29) pelo juiz Abérides Nicéas de Albuquerque Filho, da 15ª Vara Criminal da Capital, após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
O parlamentar eleito, que recebeu 49.254 votos, é acusado de exigir dinheiro da vítima sob o argumento de que poderia protegê-la de um suposto plano de assassinato atribuído ao ex-companheiro. A defesa nega as acusações, questiona a legalidade da investigação e afirma que Emerson está sendo alvo de perseguição.
Suspeita de falsa identidade policial
Segundo informações divulgadas pelo Jornal do Commercio e pelo Diario de Pernambuco, Emerson teria se apresentado à vítima como policial militar, utilizando a identificação de “sargento Emerson”. Também teria afirmado possuir ligações com integrantes do governo estadual, incluindo a governadora Raquel Lyra.
A mulher, que já possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, teria sido informada pelo influenciador de que corria risco de morte. De acordo com a investigação, ele teria exigido pagamentos em troca de proteção contra a suposta ameaça.
A vítima gravou conversas posteriormente entregues à Polícia Civil. Durante buscas relacionadas à investigação, os agentes apreenderam munições de uso restrito, um distintivo policial e um gorro da Polícia Militar.
Prisão preventiva e denúncia do MP
O mandado menciona o artigo 158 do Código Penal, que prevê pena de quatro a dez anos de reclusão, além de multa, para o crime de extorsão. A decisão também recebeu denúncia contra Rizelly da Silva Santos, ex-servidora da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Segundo o g1, a ordem de prisão reproduzida no mandado menciona expressamente Emerson. O Diario de Pernambuco, por sua vez, informou que a medida também alcança Rizelly. A decisão estabelece a reavaliação da necessidade da prisão preventiva em 90 dias, conforme o Código de Processo Penal.
Até a manhã desta sexta-feira (30), não havia confirmação oficial do cumprimento do mandado. A prisão preventiva é uma medida cautelar, não representa condenação e deve observar os requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal.
Defesa contesta provas e fala em perseguição
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o advogado Weryd Simões afirmou que a investigação apresenta “graves irregularidades e evidentes nulidades”. Segundo ele, Emerson compareceu espontaneamente à polícia em 15 de outubro, prestou depoimento e solicitou acesso integral ao inquérito. A defesa também questiona o suposto vazamento de informações protegidas por sigilo.
O deputado eleito declarou que não aceitará intimidação ou perseguição. O MDB informou que acompanhará o caso e defenderá o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
Eleito com 49.254 votos, Emerson tem posse prevista para 1º de fevereiro de 2027. A decretação da prisão preventiva, por si só, não implica perda do mandato futuro nem cancelamento da eleição.