Por Carolina Villela
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária, encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os relatórios médico e fisioterápico do apenado. Os documentos indicam evolução satisfatória após o quadro recente de pneumonia bacteriana, mas apontam para a persistência de limitações físicas, incluindo desequilíbrio, fadiga e dores no ombro direito que impedem a realização plena dos exercícios de reabilitação.
Segundo o parecer assinado pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado, Bolsonaro apresenta pressão arterial controlada e registrou apenas um episódio de soluço de curta duração na última semana, sem necessidade de medicação adicional. O médico, porém, destaca que o quadro de desequilíbrio permanece inalterado e que o paciente ainda se queixa de fadiga e cansaço, com discreta melhora em relação ao período anterior.
Protocolo inclui fisioterapia e reabilitação cardiorrespiratória seis vezes por semana
De acordo com o relatório médico, enviado na (EP) 169, Bolsonaro segue rigorosamente um protocolo de fisioterapia três vezes por semana e reabilitação cardiorrespiratória seis vezes por semana. Recentemente, foram iniciados exercícios de fortalecimento dos membros inferiores, com o objetivo de melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas. Ao exame físico, o cardiologista identificou ausculta pulmonar alterada, com murmúrios vesiculares bastante reduzidos na base do pulmão esquerdo, enquanto o lado direito apresenta resultado normal.
O ex-presidente também recebeu visita de um ortopedista, que manteve a terapia analgésica noturna para tratar as dores no ombro direito. O paciente foi orientado a manter a medicação de uso regular e contínuo.
Dor no ombro impediu exercícios específicos em sessão de segunda-feira
No dia 6 de abril, o fisioterapeuta relatou que foram realizados exercícios de fortalecimento com ênfase na ativação dos músculos da cintura escapular e região dorsal, voltados ao preparo pré-operatório. Contudo, os exercícios específicos para o ombro não puderam ser executados, pois Bolsonaro relatou dor em todos os movimentos tentados, associada à limitação de amplitude articular. Diante disso, a sessão incluiu intervenções de laserterapia, agulhamento e liberação miofascial na região afetada.
Já na sessão do dia 9 de abril, o quadro apresentou evolução positiva. Foi possível utilizar resistência elástica para ativar os músculos do ombro e da cintura escapular, e o paciente relatou melhora da dor e avanço na mobilidade articular. No entanto, a presença de nova crise de soluços gerou aumento de tensão na região cervical e dor dorsal, exigindo nova rodada de agulhamento, liberação miofascial e laserterapia.
O fisioterapeuta concluiu que há resposta positiva inicial ao tratamento, mas ressaltou a persistência de limitações funcionais e intercorrências clínicas que impactam o padrão muscular global, recomendando a continuidade do acompanhamento com progressão gradual dos exercícios.
Da Papuda ao domiciliar: entenda o regime atual de Bolsonaro
Bolsonaro estava detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, quando precisou ser transferido às pressas para um hospital após desenvolver broncopneumonia. Após duas semanas hospitalizado, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a conversão do regime para prisão domiciliar de caráter humanitário, com prazo inicial de 90 dias, podendo ser prorrogado ou revogado conforme a evolução do estado de saúde e as decisões judiciais.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes que incluem tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. A prisão domiciliar não altera a condenação, mas adapta temporariamente as condições de cumprimento da pena em razão do estado de saúde do réu. O acompanhamento das condições da prisão domiciliar, incluindo o controle de visitas e de profissionais autorizados, segue sob supervisão direta do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.