Da Redação
Com a Operação Inauditus deflagrada na manhã desta quarta-feira (1º/4), a Polícia Federal investiga um possível esquema de corrupção dentro do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). A ação prende o operador do sistema, cumpre 25 mandados de busca e apreensão em várias cidades do país, afasta servidores e determina o bloqueio de até R$ 50 milhões em bens dos investigados.
Como funcionava o esquema
Segundo a PF, as investigações apontam que servidores do tribunal teriam atuado de forma coordenada para direcionar decisões judiciais em favor de determinadas partes em processos. Entre as práticas suspeitas estão a aceleração seletiva de processos, a manipulação da distribuição de casos por prevenção e a atuação conjunta de servidores — tudo em troca de vantagens indevidas.
Além disso, os investigadores identificaram movimentações financeiras com sinais de que o dinheiro teria passado por diferentes etapas para esconder sua origem ilícita — prática conhecida como lavagem de dinheiro.
Prisão, afastamentos e bloqueio de bens
As medidas determinadas pela Justiça foram amplas. O principal operador do esquema foi preso preventivamente. Outros cinco servidores foram afastados de suas funções e estão proibidos de acessar o TJMA e de manter contato entre si. Seis pessoas passam a ser monitoradas eletronicamente.
O sequestro e o bloqueio de bens chegam a R$ 50 milhões, de forma solidária entre os principais envolvidos — o que significa que todos respondem pelo valor total caso seja necessário.
Ação em nove cidades de quatro estados
As diligências acontecem simultaneamente em diversas localidades. No Maranhão, as buscas ocorrem em São Luís, São José de Ribamar, Arari, Balsas, Bacabal e Guimarães. A operação também alcança Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Lagoa Seca (PB).
Os alvos incluem gabinetes do próprio tribunal, escritórios de advocacia e empresas ligadas aos investigados.
Inquérito corre no STJ
Os 25 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é o órgão responsável por conduzir o inquérito. A investigação apura os crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.