Da Redação
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exonerou dois de seus superintendentes nesta segunda-feira (30) após um grupo interno identificar falhas na condução de investigações sobre o Banco Master e a gestora Reag — instituições no centro do maior escândalo financeiro da história do Brasil.
O que aconteceu na CVM
Em e-mail enviado a servidores, a CVM oficializou a saída de Alexandre Pinheiro, da Superintendência-Geral (SGE), e de Marco Velloso, da Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais (SIN). A autarquia afirmou que os dois pediram para sair e que as mudanças fazem parte de um “momento de renovação institucional”.
A versão oficial é contestada por servidores, conforme informa o Estadão. Para eles as demissões foram consequência direta dos achados de um grupo de trabalho criado em fevereiro para avaliar como a CVM conduziu as apurações sobre o Banco Master e a Reag.
O que o grupo de trabalho descobriu
Após um mês de investigação interna, a equipe identificou “gargalos” tanto na área comandada por Velloso quanto na coordenação de Pinheiro. Esses problemas teriam tornado lentas as investigações de denúncias e irregularidades — não só as ligadas ao caso Master, mas de forma mais ampla.
Como resultado, o grupo recomendou melhorias na supervisão, como a identificação automática de fundos com ressalvas de auditoria. O objetivo é preparar melhor a CVM para lidar com situações semelhantes no futuro.
Quem assume os cargos
De forma interina, a perita Maria Lúcia Maceira passa a comandar a Superintendência-Geral, e Claudio Maes assume a SIN. A CVM informou que outras mudanças na estrutura interna serão comunicadas nas próximas semanas.
Diferentemente do que ocorreu no Banco Central — onde servidores foram afastados sob suspeita de terem sido cooptados pelo Master —, a reestruturação da CVM tem natureza operacional, não disciplinar.
O escândalo por trás das mudanças
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado por “grave crise de liquidez” e violações às normas do sistema financeiro. Seu controlador, Daniel Vorcaro, foi preso e responde a acusações de fraude.
Já a Reag, do empresário João Mansur, foi liquidada em janeiro, suspeita de usar fundos de investimento para lavagem de dinheiro do crime organizado. Segundo as investigações das autoridades, as duas instituições operaram juntas na maior fraude financeira já registrada no país.
O que diz a CVM
Em nota, a autarquia negou qualquer relação entre as exonerações e o caso Master. Afirmou também que uma representação feita ao Ministério Público Federal sobre suposto atraso de 473 dias na análise de um inquérito foi arquivada — e que, segundo os autos, a primeira manifestação do superintendente-geral ocorreu em apenas 19 dias úteis.
A CVM aproveitou para agradecer os serviços de Alexandre Pinheiro, que acumula 34 anos de carreira na instituição.
