Da Redação
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) comunicou nesta terça-feira (31/03) ao Governo do Distrito Federal (GDF) que o pedido de empréstimo feito pelo Banco de Brasília (BRB), vinculado ao governo distrital, da ordem de R$ 4 bilhões, está em fase inicial e que dependerá da própria instituição financeira em buscar ações para sanear suas contas.
“Orientamos o representante do BRB a dar continuidade à etapa prévia dos procedimentos, caso o banco tenha interesse em prosseguir com o empréstimo”, informou o FGC por meio dos seus representantes a agentes do mercado financeiro. O pedido de crédito tem como garantia, além de ações de estatais, nove imóveis do GDF, em meio a um cenário de pressão sobre a situação financeira do banco.
Divulgação de balanços adiada
Nesta terça-feira, a presidência do BRB Banco de Brasília (BRB) adiou a divulgação dos balanços do segundo semestre de 2025. A instituição informou, por meio de um comunicado, que o Conselho de Administração da instituição convocou os acionistas para uma Assembleia Extraordinária no dia 22 de abril.
E, numa segunda nota, que a entrega do relatório de demonstrações financeiras referentes ao terceiro e ao quarto trimestres de 2025 será adiada devido aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga as fraudes no Banco Master, liquidado em 18 de novembro de 2025 pelo Banco Central.
As investigações da PF identificaram fraudes de R$ 12,2 bilhões na venda de carteiras de créditos podres do Master para o BRB. Conforme o documento, “a apreciação do tema ocorrerá tão logo concluídas as avaliações e providências em curso, mediante convocação específica para a continuidade da Assembleia Geral Ordinária”.
Multa diária e processos
De acordo com fontes do Banco Central, o fato de os balanços do BRB não terem sido enviados na data-limite, abre espaço para a autoridade monetária nacional decretar a liquidação da instituição a qualquer momento. O Banco Central, porém, comentou o assunto.
Isto porque o descumprimento da data-limite para apresentação do balanço do BRB pode acarretar em multas diárias, na abertura de processos contra administradores e no agravamento das penalidades em caso de reincidência.
Apoio do Governo Federal
A governadora do DF Celina Leão, que assumiu ontem o cargo, afirmou que acompanha o assunto de perto e destacou que a responsabilidade técnica para esclarecer os números ficará a cargo do presidente do banco, Nelson de Souza.
A governadora afirmou que, se necessário, buscará apoio do Governo Federal para resolver a situação do BRB. Todas as ações que vierem a fortalecer o Distrito Federal serão feitas E, se a gente necessitar pedir alguma coisa à União, assim faremos”, frisou.
Régua da “transparência”
Segundo ela, eventuais parcerias com o Governo Federal podem ser fundamentais para fortalecer o banco público. Informou que a Caixa Econômica Federal e outras instituições podem participar de uma eventual estratégia de recuperação do BRB, reforçando que o foco será técnico. “A régua pela qual quero ser julgada é a condição da nossa cidade e a recuperação do BRB, com transparência”, destacou.
A governadora disse, ainda, que as investigações referentes à operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apuram as fraudes realizadas pelo Banco Master, seguem em andamento na Justiça, de forma independente e transparente.
— Com Agências de Notícias