Da Redação
Em acordo mediado pelo Paquistão e pressionado pela China, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governo do Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas. O anúncio foi feito na noite desta segunda-feira (7) e encerrou, ao menos temporariamente, uma crise que ameaçava se transformar em conflito de grandes proporções no Oriente Médio.
Em troca da suspensão dos bombardeios americanos, o Irã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo — durante o mesmo período da trégua. Israel também aceitou paralisar seus ataques, segundo a Casa Branca.
Como o acordo foi costurado
A negociação foi intermediada pelo governo do Paquistão. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir conversaram diretamente com Trump e pediram que ele suspendesse o envio de forças militares ao Irã, argumentando que os esforços diplomáticos estavam avançando com potencial real de resultado.
Do lado iraniano, a aceitação veio após pressão intensa da China — aliada estratégica de Teerã —, que pediu ao país que demonstrasse flexibilidade para reduzir as tensões. O chanceler iraniano Abbas Araghchi confirmou o acordo e disse que, enquanto os ataques cessarem, as ações defensivas do Irã também serão suspensas.
O papel do Estreito de Ormuz na crise
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo estreito entre o Irã e a Península Arábica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Seu bloqueio havia gerado alarme nos mercados globais e pressionado os preços do barril a patamares elevados.
Com o anúncio do cessar-fogo, o petróleo do tipo West Texas Intermediate — referência no mercado americano — caiu mais de 9%, chegando a cerca de US$ 102 por barril. Os contratos futuros do índice S&P 500 também reagiram positivamente, subindo 1,5% antes da abertura das bolsas na quarta-feira.
Próximos passos para um acordo definitivo
Trump afirmou que um acordo final será negociado com base em uma proposta de dez pontos apresentada pelo próprio Irã, classificada por ele como uma “base viável” para as negociações.
Apesar do premiê paquistanês informar que a trégua se estende ao Líbano, exército de Israel confirmou apenas a suspensão dos ataques contra o Irã e esclareceu que as operações militares no Líbano — tanto os bombardeios aéreos quanto a ofensiva terrestre contra o Hezbollah — seguem em curso.
O cessar-fogo foi aprovado pelo novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei. Apesar do alívio diplomático, relatos de drones sobrevoando Beirute e o lançamento de mísseis balísticos iranianos detectados pela defesa aérea israelense ainda na mesma noite indicam que o ambiente segue frágil.
Tom absurdo de ameaça antes do acordo
Horas antes do anúncio da trégua, Trump havia elevado drasticamente o tom, sugerindo em suas redes sociais que “uma civilização inteira” poderia ser destruída caso não houvesse entendimento. As declarações provocaram críticas de aliados dos EUA e até do papa Leão XIV, e foram vistas como uma tentativa de pressionar Teerã a ceder antes do prazo estipulado.
A reversão rápida do discurso — de ameaça máxima ao anúncio de trégua em poucas horas — reflete a intensidade das movimentações diplomáticas nos bastidores e o peso que intermediários como Paquistão e China exerceram para evitar uma escalada irreversível.