Por Carolina Villela
A família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes entrou com uma ação por danos morais contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, e pede uma indenização de R$ 60 mil. O parlamentar confirmou que recebeu a intimação, expedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), nesta terça-feira (28). Segundo o senador, o processo envolve declarações dadas por ele à emissora SBT News, em 15 de março, que teriam sido interpretadas como uma associação do escritório de advocacia Barci de Moraes — chefiado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro — ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A assessoria de imprensa do STF informou que os detalhes do processo não serão divulgados pela Corte. Vieira, por sua vez, usou as redes sociais para rebater as alegações e se defender publicamente, classificando a ação como uma tentativa de intimidação.
Senador nega associação ao PCC e aponta contradição na acusação
Vieira negou que tenha afirmado, durante a entrevista ao SBT News, que a família de Moraes recebeu dinheiro do PCC. Segundo o parlamentar, a “alegação é falsa” e pode ser verificada por qualquer pessoa que assista à própria reportagem. O que ele afirmou, segundo suas palavras, foi algo distinto: que a família recebeu recursos do Banco Master. “Eu afirmei, e é fato notório e confessado, que eles receberam dinheiro do Master, que é um grupo criminoso”, disse o senador.
Na entrevista em questão, Vieira caracterizou o Banco Master — então investigado pela CPI — como uma suposta “lavanderia” de recursos de diferentes origens, incluindo do PCC. O parlamentar disse haver “apurações em andamento que apontam a chegada de recursos do PCC” e “indicativos do pagamento de autoridades de diversos poderes”. Em seguida, afirmou ter informações que “apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes”.
Vieira afirmou que a ação é uma tentativa de intimidação e que não recuar. “Essas intimidações se somam às ameaças e ofensas dos ministros Toffoli e Gilmar e são sintomas de um quadro grave, onde uma elite se julga intocável”, declarou o senador, sinalizando que não pretende recuar.
CPI encerrada, relatório rejeitado e novos embates com o STF
A CPI do Crime Organizado encerrou seus trabalhos no dia 14 de abril sem aprovar o relatório final elaborado por Alessandro Vieira. O documento pedia o indiciamento de três ministros do Supremo — Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli — por crimes de responsabilidade relacionados ao caso Master.
Horas após a apresentação do relatório, o ministro Dias Toffoli reagiu publicamente e chegou a sugerir que Vieira poderia ficar inelegível em razão dos pedidos de indiciamento. Já o ministro Gilmar Mendes, após a derrubada do parecer, foi além e pediu que o parlamentar seja investigado por abuso de autoridade.