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Brasil aplica reciprocidade: diretor-geral da PF revoga credenciais de agente dos EUA

Há 6 meses
Atualizado quinta-feira, 23 de abril de 2026

Da Redação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou nesta quarta-feira (22) que revogou as credenciais de trabalho de um agente dos Estados Unidos no Brasil,  depois que um delegado brasileiro foi mandado embora dos Estados Unidos.

A justificativa foi o chamado “princípio da reciprocidade” — uma prática comum nas relações entre países que, em resumo, significa tratar o outro como você foi tratado.

A decisão ocorreu após o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho receber uma ordem para deixar os EUA. O governo norte-americano deu o prazo para a saída, mas Andrei Rodrigues foi enfático: segundo ele, o policial brasileiro não foi expulso.

A resposta do Brasil

Diante da decisão dos Estados Unidos, o Itamaraty informou à embaixada americana, verbalmente, que o Brasil aplicaria o princípio da reciprocidade. Na prática, isso significa que um funcionário dos EUA no Brasil perderia suas credenciais — a mesma medida que foi imposta ao delegado brasileiro.

A nota deixa claro que a decisão não é uma escalada por vontade própria do governo brasileiro, mas uma resposta direta ao que Brasília classifica como uma atitude unilateral e sem respaldo diplomático por parte de Washington.

O que é o princípio da reciprocidade?

O princípio não está escrito em nenhuma lei internacional, mas é amplamente seguido nas relações diplomáticas ao redor do mundo. A ideia central é que os direitos e as facilidades concedidos por um país a outro devem ser equivalentes — ou seja, nenhum dos lados pode se beneficiar sozinho das regras.

Na prática, isso pode se traduzir em diversas medidas: cobrança de taxas, restrições de visto, prazos de permanência ou até a suspensão de credenciais de agentes estrangeiros. Esse princípio funciona no sentido de que você pode devolver o que lhe foi aplicado. O que significa que pode ser usado em uma série de campos das relações internacionais.

O caso Ramagem

A detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, seguida de sua soltura apenas dois dias depois, abriu esse novo capítulo na crise diplomática entre Brasil e EUA. O episódio colocou em evidência as divergências entre os dois governos sobre como lidar com brasileiros que fugiram do país após serem condenados ou investigados pela Justiça.

Ramagem deixou o Brasil em setembro do ano passado, às vésperas de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na trama golpista. Desde então, mora nos Estados Unidos, onde pediu asilo político — solicitação que ainda não foi concluída pelas autoridades americanas.

A prisão em Orlando

No início de abril, Ramagem foi detido em Orlando por agências de imigração dos EUA. Para o governo brasileiro, que o considera foragido da Justiça, a prisão acendeu a esperança de uma possível extradição. A expectativa, no entanto, durou pouco.

Dois dias após a detenção, ele foi solto. A liberação frustrou Brasília e alimentou o atrito diplomático já existente entre os dois países, que vinham trocando farpas em outras frentes desde o início do governo Trump.

Como o Brasil já usou esse princípio antes

Este não é o primeiro episódio recente em que o Brasil recorre à reciprocidade. Em março de 2026, o Ministério das Relações Exteriores cancelou o visto de Darren Beattie, assessor do presidente americano Donald Trump, depois que o governo brasileiro concluiu que ele havia ocultado os reais motivos de sua visita — que incluiriam encontros de cunho político, entre eles uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Antes mesmo da decisão oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia deixado claro sua posição: Beattie só seria bem-vindo no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pudesse entrar nos EUA. Em 2025, os americanos tinham cancelado os vistos da mulher e da filha de Padilha — o do próprio ministro já estava vencido.

O que o Brasil alega contra os EUA

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota criticando a decisão do governo Donald Trump de mandar embora o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao ICE — o serviço de imigração dos EUA — na Flórida. Segundo o Itamaraty, os americanos não seguiram a “boa prática diplomática” ao tomar a medida.

A saída do agente dos EUA foi interpretada pelo governo brasileiro como uma retaliação ligada ao caso. De acordo com a nota do Itamaraty, os EUA descumpriram o acordo de cooperação vigente entre os dois países — a ordem de deixar o país teria ocorrido sem que o governo americano pedisse qualquer esclarecimento ou abrisse um canal de diálogo com Brasília antes de agir.

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