Da Redação
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 2, a quinta etapa da Operação Unha e Carne, que investiga esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro ligados ao jogo do bicho no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o pastor Marcio Poncio, detido em um apartamento na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
Quem são os presos nesta fase
Além de Poncio, a Justiça expediu ordens de prisão contra o contraventor Adilsinho, apontado como líder de uma facção do jogo do bicho conhecida como “Máfia do Cigarro”, e contra o ex-parlamentar estadual Rodrigo Bacellar. Os dois já estavam detidos por outros motivos: Adilsinho segue preso e Bacellar, que cumpria pena em Bangu, deve ser removido para uma unidade prisional federal.
As ordens foram assinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que também autorizou 14 buscas e apreensões em diferentes endereços, além do bloqueio de bens que podem somar até 22 milhões de reais.
O que a investigação busca provar
De acordo com informações apuradas pelo g1, os investigadores tentam agora demonstrar como o dinheiro obtido de forma ilegal pelo grupo liderado por Adilsinho foi lavado, e se esse esquema teria alcançado políticos e agentes públicos do Rio de Janeiro, tanto no Executivo quanto no Legislativo estadual.
Um caso que começou como vazamento de informações
A Operação Unha e Carne não nasceu investigando o jogo do bicho. Ela teve início em dezembro de 2025 apurando um suposto vazamento de dados sigilosos sobre ações policiais contra o Comando Vermelho, facção criminosa que atua em favelas do Rio.
A suspeita inicial era de que informações sensíveis tivessem sido repassadas a pessoas próximas da facção, prejudicando operações da polícia. O caso passou a integrar o processo mais amplo conhecido como ADPF das Favelas, que trata da política de segurança pública no estado.
Como o esquema foi se revelando
Na primeira fase, o alvo principal foi Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio. Ele é acusado de ter repassado dados de uma operação policial contra o Comando Vermelho, beneficiando um ex-deputado ligado à facção. Bacellar chegou a ser preso, mas foi liberado dias depois com o uso de tornozeleira eletrônica.
Já a segunda fase, ainda em dezembro, levou à prisão de um desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A suspeita é de que ele tenha sido a origem do vazamento dentro do Judiciário, repassando informações que teriam chegado até Bacellar.
Novas prisões ao longo de 2026
A terceira fase ocorreu em março, quando Bacellar foi preso novamente, dessa vez em sua casa na Região Serrana do Rio. A nova prisão veio depois que ele perdeu o mandato de deputado pela Justiça Eleitoral, em razão de outro escândalo, e após uma denúncia formal do Ministério Público Federal.
Em maio, a quarta fase resultou na prisão de outro deputado estadual, suspeito de comandar fraudes em contratos da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, envolvendo compras de material e obras em escolas.
Por que o caso ganhou nova dimensão
Com a chegada de Poncio, Adilsinho e a reincidência de Bacellar nesta quinta fase, a investigação amplia o foco: não se trata mais apenas de vazamento de informações, mas de possível conexão entre o crime organizado ligado ao jogo do bicho e agentes públicos do Rio de Janeiro.