Ministro André Mendonça diz que TSE não atuará como ‘arbitro’ de acordo sobre quebra de sigilos – – –
Gilmar Mendes anula aposentadoria compulsória aplicada pelo CNJ a juiz de Roraima – – –
Floriano limita poder de Nunes Marques e leva disputa sobre canal de Lula ao Plenário do TSE – – –
STF valida mediação e conciliação em delegacias da Polícia Civil de São Paulo – – –
TCU aprova acordo para concessão da malha Nordeste da Ferrovia Transnordestina, com indenização por trechos inoperantes – – –
Diretora de presídio feminino no Rio é presa por desvio de 70 kg de alimentos – – –
TSE informa, em nota, que não determinará a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar – – –
Propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV termina nesta sexta-feira (23) – – –
TRF3 e Mackenzie lançam plataforma para localizar intérpretes forenses – – –
Congressistas dos EUA querem reunião hoje com Meta para cobrar explicações sobre eleições no Brasil – – –

Tribunal reconhece “Boletim de Controle Operacional” como possível anterioridade em disputa de patente

Há 4 meses
Atualizado quinta-feira, 25 de junho de 2026

Da Redação

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou a reabertura da perícia técnica em ação que questiona a validade de uma patente da indústria de ferroligas, após reconhecer que um documento interno de 1990 pode comprovar que a tecnologia reivindicada já era utilizada antes do registro.

Disputa envolve patente de processo industrial

A 2ª Turma Especializada do TRF-2 deu provimento, por unanimidade, ao agravo interno interposto pela Maringá Ferro-Liga S.A. contra decisão que havia negado seguimento ao recurso anterior da empresa.

No centro do litígio está a patente PI0904761-1, registrada por ex-funcionários da companhia, que descreve um processo de recirculação de escória na produção de ferroligas.

A empresa alega que a técnica já era adotada internamente desde pelo menos 1990, o que tornaria o pedido de patente inválido por ausência de novidade.

Documento de 1990 volta ao centro do debate

O principal elemento da controvérsia é o chamado “Boletim de Controle Operacional”, datado de 13 de janeiro de 1990, que registra dados de produção da fábrica.

O perito judicial havia desconsiderado o documento por considerá-lo um controle interno preenchido manualmente, de fidedignidade questionável e sem relevância para a análise de patenteabilidade.

O juízo de primeira instância acolheu esse entendimento e indeferiu o pedido de complementação da perícia, decisão que motivou os recursos subsequentes.

TRF-2 vê cerceamento de defesa

O relator, desembargador federal Marcello Granado, entendeu que a desconsideração prévia do documento, sem aprofundamento técnico adequado, pode configurar cerceamento de defesa.

O magistrado destacou que o próprio perito havia reconhecido, em manifestação nos autos, que o boletim anteciparia o uso de escórias contendo silício na produção de ferroligas — exatamente o processo reivindicado na patente.

Para o relator, o preenchimento manual do documento não pode, por si só, afastar seu valor probatório, especialmente considerando o contexto tecnológico da época.

Acesso do ex-funcionário é ponto central

A Maringá Ferro-Liga argumenta que um dos inventores da patente, Márcio dos Santos Lamas da Silva, era funcionário da empresa em 1990 e teve acesso direto ao processo descrito no boletim.

O acórdão aponta que permitir o registro de uma patente sobre técnica comprovadamente conhecida por quem tinha vínculo empregatício com a empresa desvirtuaria a finalidade da legislação de propriedade industrial.

O tribunal citou os artigos 8º e 11 da Lei de Propriedade Industrial, que condicionam a patenteabilidade à novidade e à atividade inventiva, tomando como referência tudo o que era acessível antes do depósito do pedido.

Tese fixada abre precedente sobre documentos internos

Além de determinar a complementação da perícia, o acórdão firmou três teses de julgamento com potencial repercussão em casos futuros.

A primeira admite o agravo de instrumento fora do rol do artigo 1.015 do CPC quando houver urgência decorrente da inutilidade do julgamento tardio da questão.

A terceira tese é a de maior impacto para o direito de propriedade intelectual: documentos internos tecnicamente acessíveis e conhecidos por empregado antes do depósito da patente podem configurar anterioridade impeditiva de patenteabilidade, conforme os artigos 8º e 11 da LPI.

Perícia deverá examinar validade da patente

Com a decisão, o perito judicial deverá complementar o laudo com exame técnico específico sobre a validade da patente PI0904761-1 à luz do boletim de 1990.

O trabalho pericial deverá considerar o conteúdo do documento, o contexto da época de sua produção e o acesso a ele por Márcio dos Santos Lamas da Silva quando ainda era empregado da Maringá Ferro-Liga.

O processo segue na 9ª Vara Federal do Rio de Janeiro, aguardando a nova manifestação do perito antes de seguir para julgamento definitivo de mérito.

Autor

Leia mais

Ministro André Mendonça, do TSE

Ministro André Mendonça diz que TSE não atuará como ‘arbitro’ de acordo sobre quebra de sigilos

Há 2 dias
Ministro Gilmar Mendes, do STF

Gilmar Mendes anula aposentadoria compulsória aplicada pelo CNJ a juiz de Roraima

Há 2 dias

Floriano limita poder de Nunes Marques e leva disputa sobre canal de Lula ao Plenário do TSE

Há 2 dias

STF valida mediação e conciliação em delegacias da Polícia Civil de São Paulo

Há 2 dias
Trecho da construção da Ferrovia Transnordestina

TCU aprova acordo para concessão da malha Nordeste da Ferrovia Transnordestina, com indenização por trechos inoperantes

Há 2 dias

Diretora de presídio feminino no Rio é presa por desvio de 70 kg de alimentos

Há 2 dias