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São Paulo: operação prende vereador e dirigentes de empresa de ônibus por lavagem de dinheiro do PCC

Há 4 meses
Atualizado quinta-feira, 25 de junho de 2026

Da Redação

Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo prendeu nesta quinta-feira, 25, três pessoas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro de uma empresa de transporte público da capital paulista.  

Foram presos o vereador da capital paulista Senival Moura, do PT, apontado pelas investigações como o real controlador da empresa de ônibus; Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, dirigente informal da empresa, e identificado como o autor dos disparos que mataram um ex-dirigente da empresa em 2020; e Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”, motorista e homem de confiança do vereador.

O que é a Operação Última Parada

A ação, batizada de Operação Última Parada, foi deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 104 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, da região metropolitana e também em Extrema, no interior de Minas Gerais.

Os investigados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitações públicas. A suspeita é de que a empresa de ônibus servia como ferramenta para movimentar recursos ilícitos da facção criminosa, disfarçando o dinheiro do crime como receita legítima do transporte coletivo.

Outros alvos

Outros dois nomes também são alvo de mandado de prisão, mas não constam entre os já capturados até o momento: Lourival Monário, conhecido como “Orelha”, atual presidente da companhia, ndicado segundo a apuração para garantir o repasse de dinheiro à facção; e Leonel Moreira Martins, conhecido como “Cabeça Branca”, supervisor operacional descrito como o elo direto entre o crime organizado e a direção da companhia.

O crime que abriu a investigação

O caso começou a partir da apuração de um assassinato ocorrido em 2020. A vítima era Adauto Soares Jorge, presidente anterior da empresa de ônibus, morto a tiros após supostamente desviar recursos da companhia para financiar uma campanha eleitoral paralela ao caixa oficial, beneficiando o vereador Senival Moura.

Documentos internos da facção, conhecidos como “salves”, mostraram que tanto Adauto quanto o vereador haviam sido condenados à morte pelo PCC por desvio de valores. As apurações indicam que Senival teria concordado com a execução do então presidente e, posteriormente, teria sido perdoado pela facção em troca de ressarcir o prejuízo financeiro e por sua influência política.

Como o esquema de lavagem funcionava

Segundo o Ministério Público, a empresa de ônibus tinha uma espécie de comando paralelo, que tomava decisões internas e autorizava a saída de grandes quantias de dinheiro para pessoas ligadas ao PCC. As investigações também apontam irregularidades na própria formação societária da empresa.

O capital social da companhia teria saltado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem comprovação da origem dos recursos. Esse aumento, segundo a apuração, foi decisivo para que a empresa pudesse participar e vencer licitações públicas de transporte na capital paulista.

Valores bloqueados e bens apreendidos

A Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa. Também foram sequestrados 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações usadas pelo grupo.

Diante da gravidade das acusações, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os diretores e administradores da empresa. Como o transporte público é considerado serviço essencial, a Prefeitura de São Paulo foi notificada para garantir a continuidade das linhas, seja por meio de intervenção direta ou pela transferência das rotas para outras empresas do setor.

Conexão com outras investigações

As autoridades identificaram relação entre o esquema investigado e outras grandes operações já conhecidas, incluindo apurações que ligam o PCC ao tráfico internacional de drogas e a organizações criminosas estrangeiras, como a máfia italiana.

A operação desta quinta-feira reforça uma série de ações realizadas nos últimos anos contra a infiltração de facções criminosas em empresas que prestam serviços públicos na capital paulista, especialmente no setor de transporte coletivo.

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