Por Hylda Cavalcanti
Antes mesmo de ter sido concluída a reunião do Tribunal Pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com qualquer decisão sobre se os ministros do colegiado acolhem ou não o relatório realizado por uma sindicância interna sobre a conduta do ministro Marco Buzzi, um processo sobre ele relacionado ao mesmo tema já teve andamento por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
Isto porque foi divulgado nesta terça-feira (14/04), e confirmado por fontes do STF, que o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, determinou a abertura de um inquérito criminal contra o ministro do STJ.
Marco Buzzi vem sendo acusado desde fevereiro de denúncias de importunação sexual por duas mulheres. Uma delas é uma jovem de 17 anos, cujos pais são amigos da sua família. A outra é uma assessora do Judiciário que já foi lotada no seu gabinete.
Várias frentes
O caso está sendo investigado tanto por parte desta comissão de sindicância interna aberta pelo próprio STJ, como também pela Corregedoria Nacional de Justiça e, na área criminal, por um processo ajuizado contra ele pelas duas denunciantes, no STF (pelo fato de se tratar de uma autoridade). Processo, este, que tramita sob sigilo judicial e tem como relator o ministro Nunes Marques.
O que aconteceu é que vazou durante o final de semana o resultado da sindicância contra Buzzi e também parecer sobre ele enviado ao STF pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A sindicância sugere a abertura de um processo administrativo para investigá-lo. E a PGR, na mesma linha, indica ao Supremo a necessidade de apurações detalhadas das denúncias relacionadas ao caso. Por isso a iniciativa adotada pelo ministro relator no Supremo.
Pronunciamento dos advogados
Na reunião do Tribunal pleno do STJ, que será realizada a portas fechadas, vão se pronunciar os advogados da defesa do ministro e também das duas mulheres que fazem acusações contra ele.
Buzzi está afastado temporariamente do Tribunal. Colegas de Tribunal já disseram em reservado que a situação é grave e que são grandes as chances dele vir a ser punido com a aposentadoria ou perda do cargo, além de responsabilizado criminalmente.