Da Redação
O advogado-geral da União, Jorge Messias, enfrenta hoje uma das votações mais aguardadas do ano político. Ele será avaliado por senadores para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) — e o resultado pode ser decidido por uma margem estreita de votos.
Como funciona a sabatina
O processo acontece em duas etapas. Primeiro, Messias passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde precisa conquistar a maioria dos votos dos senadores presentes. Em seguida, independentemente do resultado na comissão, o nome vai a plenário — e ali são necessários ao menos 41 votos favoráveis para a aprovação.
Em ambas as etapas, a votação é secreta. Isso significa que o público saberá apenas o placar final, sem saber como cada senador votou individualmente.
A disputa nos bastidores
O caminho de Messias até a sabatina foi marcado por tensão política. Quando o presidente Lula o escolheu, em novembro de 2025, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reagiu mal: ele queria ver o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no cargo. A insatisfação foi tanta que o governo chegou a adiar o envio oficial da indicação por semanas.
Alcolumbre chegou a anunciar uma sabatina-relâmpago — em duas semanas — para evitar que Messias tivesse tempo de visitar senadores e conquistar apoio. Mais recentemente, recusou-se a receber o indicado em audiência formal.
Reaproximação e sinais de apoio
O cenário começou a mudar após um encontro informal, fora de agenda, na casa do ministro do STF Cristiano Zanin. Lá, Messias e Alcolumbre conversaram, com a presença também de Rodrigo Pacheco e do ministro Alexandre de Moraes. Aliados de Messias descreveram o clima como positivo, mas interlocutores de Alcolumbre foram cautelosos: o presidente do Senado teria garantido apenas um processo institucional, sem prometer votos.
Um sinal mais concreto veio na véspera da sabatina. Pacheco almoçou com Messias ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito de Recife, João Campos — presidente do PSB —, formalizando o apoio do partido. Para aliados do indicado, isso indica que o grupo político de Alcolumbre está liberado para votar a favor.
Dinheiro e política: emendas na véspera
Às vésperas da votação, o governo federal empenhnou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares. O maior beneficiado no Senado foi o PL, principal partido de oposição, com R$ 479 milhões reservados. Empenhar uma emenda significa que o governo se compromete formalmente a liberar aquele valor.
A movimentação chamou atenção por coincidir com o período de articulação pelo apoio dos senadores, embora o governo não tenha vinculado explicitamente os dois temas.
Projeções e quem estará ao lado de Messias
Senadores da base governista estimam aprovação tranquila na CCJ e projetam entre 43 e 48 votos no plenário — margem confortável acima dos 41 necessários. A oposição, porém, promete disputar voto a voto.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, será presença marcante: ele anunciou que bloqueou toda a agenda para acompanhar Messias desde a chegada até o encerramento da sessão, como gesto público de apoio.
Como será o rito da sabatina
A sabatina de Messias será a terceira do dia na CCJ, presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA). Antes dele, a comissão avalia os nomes de Margareth Costa para o Tribunal Superior do Trabalho e de Tarcijany Machado para defensora pública-geral federal.
No formato previsto, Messias faz uma apresentação inicial; depois, cada senador tem até dez minutos para perguntar, organizados em blocos de três ou quatro parlamentares. O indicado responde sem limite de tempo. A réplica do senador e a tréplica de Messias têm, em geral, até cinco minutos cada — mas é Otto Alencar quem decide se a tréplica será concedida.