Da Redação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a investigação do conteúdo extraído de aparelhos celulares do advogado Frederick Wassef que foram apreendidos no âmbito da investigação sobre o desvio de jóias e presentes oficiais recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em viagens internacionais durante o seu mandato. O motivo da nova investigação está sob sigilo.
Moraes ordenou que a investigação do conteúdo seja feita de forma sigilosa, mas a informação sobre o pedido de investigação por parte do ministro foi divulgado pela Folha de São Paulo e repercutido por vários veículos nas últimas horas sem negativa por parte do STF.
Parecer da PGR
Em 4 de março, a Polícia Federal informou ter identificado “eventos fortuitos” nos dados dos celulares de Wassef que deveriam ser apurados em procedimento separado.
Em parecer apresentado sobre o caso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstrou ser favorável a investigar o conteúdo encontrado no celular do advogado, com o objetivo de que “se avalie as hipóteses criminais cogitadas possuem ou não conexão ou pertinência com o caso das joias”.
Indiciamento de 10 pessoas
Frederick Wassef, que é advogado de Bolsonaro, e o ex-presidente foram indiciados no caso do suposto desvio de jóias recebidas do governo da Arábia Saudita. Além deles, a lista de indiciamento inclui outras 10 pessoas.
São elas: tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; general Mauro Cesar Lourena Cid – pai de Mauro Cid; almirante Bento Albuquerque – ex-ministro de Minas e Energia durante o governo Bolsonaro; e Marcos André dos Santos Soeiro – ex-assessor de Bento Albuquerque.
Além de José Roberto Bueno Júnior – ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia durante o governo Bolsonaro; Marcelo da Silva Vieira – ex-chefe do Gabinete de Documentação Histórica da Presidência durante o governo Bolsonaro; Julio Cesar Vieira Gomes – ex-secretário especial do Fisco durante o governo Bolsonaro; Marcelo Costa Câmara – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; e Osmar Crivelatti – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Venda clandestina
A venda de jóias recebidas por Bolsonaro como presidente da República, que deveriam ir para o acervo do Governo, e foi feita de forma irregular no exterior, foi revelada em março de 2023. Inicialmente, a PF investigava dois conjuntos de jóias recebidos em 2021, mas depois descobriu um terceiro conjunto, de 2019.
Entre os itens estavam brincos de diamantes que seriam presente para a então primeira-dama Michelle Bolsonaro, anéis, abotoaduras, uma caneta da marca Chopard, um rosário árabe e dois relógios. Bolsonaro ainda precisou devolver ao Tribunal de Contas da União (TCU) um conjunto de armas da marca Caracol recebido em viagem à Arábia Saudita.
— Com informações da Folha de São Paulo