Da Redação
O governo dos Estados Unidos comunicou nesta quarta-feira, 1º, que aplicou sanções financeiras contra dois brasileiros e quatro empresas — três no Brasil e uma em Portugal — acusados de movimentar recursos ilícitos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Departamento do Tesouro americano, o esquema envolvia lavagem de dinheiro do tráfico de drogas entre cidades dos Estados Unidos, especialmente na Flórida, e São Paulo, usando inclusive criptomoedas para movimentar os valores.
O que motivou a decisão dos EUA
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Tesouro dos Estados Unidos responsável por aplicar sanções econômicas, afirma que o PCC deixou de ser um problema apenas brasileiro. A facção hoje atua em vários países, incluindo Reino Unido, Turquia e Japão, e mantém operações identificadas em território americano.
Segundo o comunicado oficial, agentes ligados ao grupo atuam dentro dos EUA lavando lucros do narcotráfico, o que motivou a ação conjunta entre o Tesouro, o FBI e o Departamento de Justiça americano. A medida foi justificada com base em duas normas: a Ordem Executiva 14059, voltada ao combate ao narcotráfico internacional, e a Ordem Executiva 13224, usada contra financiadores de organizações classificadas como ameaça à segurança nacional.
Quem são os alvos das sanções
No centro da investigação está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelas autoridades americanas como o principal elo entre operadores do PCC na Flórida e fornecedores ligados ao tráfico internacional de drogas. De acordo com o Tesouro dos EUA, sua rede teria movimentado mais de 30 milhões de dólares em recursos ilícitos, usando criptoativos para enviar o dinheiro de volta ao Brasil.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, parente e colaboradora próxima de Shimada, também foi incluída na lista de sancionados. Ela teria atuado como secretária e intermediária em operações de retirada de grandes quantias em espécie, dando suporte logístico ao esquema.
As empresas usadas como fachada
As autoridades americanas também bloquearam bens de quatro empresas apontadas como parte da estrutura usada para movimentar os recursos: Victory Trading, Pixwave e Wave, todas com sede em São Paulo, além da Avenidas Flutuantes, companhia de transporte e armazenamento localizada perto de Lisboa, em Portugal.
Segundo o Tesouro, essas empresas — que atuam nos setores financeiro, de construção e de logística — seriam controladas direta ou indiretamente por Shimada, funcionando como fachada para dar aparência legal à circulação do dinheiro. O comunicado ainda menciona que, em 2025, Shimada já havia sido investigado no Brasil por suspeita de uso de uma dessas empresas para lavar valores desviados de um clube de futebol por meio de fraude publicitária.
Terceira ação da OFAC contra o PCC
Essa não é a primeira vez que os Estados Unidos miram o PCC. Em 2021, a organização foi formalmente classificada como alvo de sanções por seu papel no tráfico internacional de drogas. Em 2024, o órgão já havia sancionado outro operador financeiro ligado à facção. A ação desta semana é, portanto, a terceira rodada de medidas do gênero direcionada ao grupo.
O que muda na prática
Com o bloqueio, todos os bens dos sancionados que estejam nos Estados Unidos, ou sob controle de cidadãos e empresas americanas, ficam congelados. Pessoas e instituições americanas também ficam proibidas de realizar qualquer tipo de transação com os nomes incluídos na lista, sob risco de penalidades civis ou criminais.
O Tesouro alerta ainda que bancos estrangeiros que facilitarem operações em nome dos sancionados podem sofrer sanções indiretas, incluindo restrições para operar com contas em instituições americanas. A pasta reforça que o objetivo da medida não é punitivo, mas busca induzir mudança de comportamento, e que há previsão legal para que os nomes sejam retirados da lista caso comprovem o encerramento das atividades ilícitas. Com informações da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil*
O que diz a defesa de Shimada
Em nota, os advogados de Victor Shimada afirmaram que ainda não tiveram acesso aos documentos oficiais que embasaram as sanções aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o que impediria uma manifestação detalhada sobre o conteúdo da medida.
Apesar disso, a defesa afirma que Shimada nega de forma enfática qualquer ligação com facção criminosa ou com práticas de lavagem de dinheiro. Segundo o texto, o caso será analisado com cautela assim que houver acesso integral aos documentos, em conjunto com os profissionais que vão representá-lo perante as autoridades americanas. A nota conclui pedindo que se evitem conclusões precipitadas antes da apuração completa dos fatos.