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A foto mostra agentes da Polícia Federal em uma operação.

PF deflagra 6ª fase da operação que apura conexões entre políticos e agentes públicos com o crime organizado do RJ

Há 4 meses
Atualizado terça-feira, 7 de julho de 2026

Por Hylda Cavalcanti

A Polícia Federal está em plena investigação dos casos referentes a conexões entre políticos e agentes públicos com representantes do crime organizado que antecipavam informações para os líderes de facções em troca de suborno em altos valores. Depois das ações da última quinta-feira (02/07), a corporação deflagrou nesta terça-feira (07/07) a 6ª fase da Operação Unha e Carne.

O objetivo é, em continuidade às apurações em curso, desarticular um esquema de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro que, com a participação desses políticos, agentes públicos e integrantes do jogo do bicho, são suspeitos de terem movimentado mais de R$7,6 bilhões nos últimos seis anos.

Alvos da 6º fase

Entre os alvos da ação estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, atual presidente do União Brasil no Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro. 

Conforme informações iniciais da operação que está sendo realizada hoje, a organização é suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma para fazer a lavagem de capital. Os valores bilionários foram analisados conforme Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). 

Cumprimento de mandados

Na ação, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

A Operação Unha e Carne teve 5 fases desde dezembro de 2025 e apurava, no início, um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV), que teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa. 

Ex-presidente da Alerj

A 1ª etapa da operação foi deflagrada em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado e preso. Não por coincidência, Bacellar foi transferido no último sábado (04/07) por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) do presídio de Bangu 8, no Rio, para a penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.

De acordo com a Polícia Federal, Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, o que permitiu a destruição e ocultação de provas, frustrando a ação policial. Ainda em dezembro de 2025, a segunda fase aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos. Nessa etapa, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

Esquema com Seeduc

A terceira fase foi deflagrada em 27 de março de 2026, onde Rodrigo Bacellar foi preso novamente por determinação de Alexandre de Moraes após a cassação do mandato do político pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  

Na 4ª fase, de 5 de maio de 2026, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso, suspeito de comandar um esquema de fraudes em procedimentos de compra de materiais e de aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc).

Máfia do cigarro

Na 5ª fase, deflagrada na última semana (02/07), a PF prendeu o pastor Márcio Pôncio, investigado por ligação com a Máfia do Cigarro, e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. 

As investigações que levaram a essa etapa começaram em 2021 e miraram Adilsinho. Uma delas foi a Operação Smoke Free, de novembro de 2022. Em um dos endereços de Adilsinho, a PF encontrou listas de políticos. 

— Com Agências de Notícias

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