Por Hylda Cavalcanti
Como se não bastasse o uso indiscriminado das apostas online (bets) que já estão sendo tratadas como um problema de saúde pública e da procura por bets ilegais, começam a se intensificar no Brasil as chamadas bets ilegais que se mascaram com símbolos do governo. Ou seja, plataformas que não possuem autorização para funcionamento no território nacional, mas usam em suas tarjas várias referências visuais relacionadas ao Ministério da Fazenda.
Apesar das muitas restrições ao uso desse tipo de apostas, investigações policiais têm constatado que o número aumentou nos últimos tempos, motivo pelo qual esse grupo específico de bets tem sido alvo de operações da Polícia Federal. A mais recente delas, a Operação Slots, deflagrada nesta quarta-feira (15/07) está atuando em seis estados e somente no primeiro dia resultou no bloqueio e sequestro de bens e valores até o montante de R$ 951.140.294,00 (perto de R$ 1 bilhão), além do sequestro de um imóvel e de veículos de luxo.
Aportes direcionados para PJs
Essas bets, conforme informaram agentes da PF, se utilizavam indevidamente de símbolos gráficos e selos que passavam a falsa impressão de estarem autorizadas pelo Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) do Ministério da Fazenda. Criando, assim, uma falsa aparência de regularidade perante os consumidores. Mas os aportes financeiros dos apostadores eram direcionados para pessoas jurídicas, sem autorização para exploração da atividade.
A Operação Slots, que prossegue nas ruas dos estados do Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe, tem como alvo desarticular grupo criminoso investigado pela prática de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada dessas bets. O objetivo desse esquema criminoso é ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos.
Busca e apreensão
A ação, da Justiça do Espírito Santo, conta com o apoio técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda (MF). Ontem, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária, além da proibição de divulgação de plataformas de apostas irregulares pelos investigados e da suspensão das atividades das empresas investigadas.
Conforme informações da Polícia Federal, a investigação teve início a partir de dados que apontaram para a possível prática de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Exploração clandestina
No decorrer das diligências, a PF identificou uma estrutura voltada à exploração clandestina de plataformas de apostas on-line, utilizando influenciadores digitais para promover os sites irregulares.
Foram identificadas, também, empresas intermediadoras de pagamento para receber, para movimentar e para dispersar os recursos obtidos com a atividade ilícita. Agentes da corporação informaram que ficou evidenciada, por meio das apurações, evolução patrimonial considerada incompatível com a capacidade econômica formalmente declarada pelos investigados, além da utilização de pessoas jurídicas com características de empresas de fachada.
— Com informações da PF e Agências de Notícias