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Trabalhadores dos Correios fazem entregas em carro da estatal

TST eleva para R$ 40 mil indenização de carteiro assaltado e trancado em van dos Correios

Há 2 meses
Atualizado terça-feira, 14 de julho de 2026

Da redação

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) elevou de R$ 10 mil para R$ 40 mil o valor da indenização que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) deverá pagar a um carteiro motorizado vítima de assalto. Durante o crime, o trabalhador foi trancado na carroceria do próprio veículo de trabalho e ameaçado de morte.

Para os ministros da Turma, o valor de R$ 10 mil fixado anteriormente era irrisório diante da gravidade da situação vivida pelo carteiro e dos danos causados a ele. A decisão foi unânime.

Carteiro foi largado em matagal

O caso aconteceu em 20 de maio de 2022, quando o carteiro fazia entregas de encomendas em Cariacica (ES) e foi abordado por dois assaltantes. Um deles assumiu a direção do veículo — uma Fiat Fiorino — enquanto o outro anunciou o assalto, ordenou que o trabalhador ficasse quieto sob ameaça de morte, trancou-o no baú do carro e levou seu celular.

Após dirigir de forma perigosa até um local onde as encomendas foram descarregadas, os assaltantes voltaram a rodar com o veículo e exigiram que o carteiro desbloqueasse o celular. Em seguida, determinaram que ele saísse do bagageiro em dez minutos, tempo que usariam para fugir. Ao sair, o trabalhador percebeu que havia sido abandonado em um matagal, retomou a direção do veículo e retornou à sede dos Correios.

Sequelas psicológicas após o crime

A empresa emitiu Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) após o episódio, e o carteiro recebeu atestado médico de 15 dias em razão de Transtorno de Ansiedade Generalizada, seguido por um período de 30 dias de férias.

No processo judicial, o trabalhador relatou sofrer graves problemas psicológicos decorrentes da violência sofrida, com crises de ansiedade sempre que alguém se aproxima do veículo durante as entregas, além de dificuldades para dormir e realizar atividades cotidianas. Segundo ele, a ECT colocou em risco sua saúde emocional, sua integridade física e sua vida.

Em defesa, a empresa argumentou que não agiu com negligência, já que o assalto ocorreu em via pública, e afirmou ter adotado medidas de apoio ao empregado, como acompanhamento médico, abertura de CAT, registro de boletim de ocorrência e orientação da área de segurança.

Instâncias anteriores divergiram sobre o valor

Em primeiro grau, a Justiça do Trabalho determinou o pagamento de indenização de R$ 26 mil, correspondente a dez salários do carteiro. A sentença considerou que a própria ECT havia reconhecido a relação entre o assalto e o trabalho ao emitir a CAT.

No entanto, o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES) reduziu o valor para R$ 10 mil, equivalente a quatro salários da vítima. A decisão do TRT se baseou nos critérios estabelecidos pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) para fixação de indenizações por danos morais, previstos no artigo 223-G da CLT, como a intensidade do sofrimento, a possibilidade de superação e a situação social e econômica das partes envolvidas.

Terceira Turma considerou valor irrisório

Ao analisar o recurso de revista apresentado pelo carteiro, o relator, ministro Lelio Bentes Corrêa, propôs o aumento da indenização para R$ 40 mil. “O valor de R$ 10 mil é inegavelmente irrisório, considerando-se os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade”, afirmou o ministro.

Lelio Bentes Corrêa destacou que o próprio TRT havia reconhecido a ocorrência do assalto com grave ameaça à vida do carteiro, mas, mesmo assim, reduziu significativamente o valor da indenização. A decisão da Terceira Turma restabelece um patamar considerado mais compatível com a gravidade do episódio.

O processo tramita sob o número RR-0000363-58.2023.5.17.0009.

*Com informações do TST

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