Da Redação
O governo dos Estados Unidos liberou 2.126 produtos brasileiros da sobretaxa de 25% anunciada contra o Brasil. Segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), esses itens são insumos essenciais para a economia americana e, se fossem taxados, poderiam faltar no mercado interno ou gerar problemas de abastecimento.
O que aconteceu
Na madrugada desta quinta-feira, 16, o USTR confirmou a lista de produtos que não vão sofrer a taxação extra de 25% imposta ao Brasil. A decisão foi detalhada em um relatório de 96 páginas, no qual o órgão explica os critérios usados para excluir cada item da tarifa.
De acordo com o documento, os produtos isentos são, em sua maioria, matérias-primas. Ou seja, insumos que empresas americanas usam para fabricar outros produtos ou para consumo direto, e que não têm substitutos fáceis dentro dos próprios Estados Unidos.
Quais produtos entraram na lista
Entre os liberados estão itens já esperados, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja — que já apareciam em uma lista anterior, divulgada em junho, quando a investigação sobre práticas comerciais brasileiras começou.
Mas a nova lista também trouxe novidades. Passaram a integrar as exceções produtos como mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e de aço, peixes e frutos do mar, alguns tipos de couro e madeira, além de medicamentos e insumos farmacêuticos.
O que ficou de fora
Nem tudo foi liberado. O governo americano negou pedidos de isenção para setores como vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais. Isso significa que esses produtos continuam sujeitos à tarifa de 25% ao entrarem no mercado americano.
Os argumentos discutidos nas audiências
Durante o processo de investigação, o USTR promoveu audiências públicas para ouvir empresas e representantes de setores afetados. Nesses encontros, foram apresentadas propostas alternativas às tarifas, como a abertura de negociações bilaterais ou multilaterais entre Brasil e Estados Unidos.
Uma parte dos participantes foi ainda mais direta: defendeu que nenhuma tarifa deveria ser aplicada, nem mesmo em percentual menor que os 25% definidos, sob o argumento de que isso comprometeria os próprios objetivos comerciais do governo americano.
Como os produtos isentos estão distribuídos por setor
A lista de exceções é ampla e abrange dezenas de categorias diferentes. Os setores com mais produtos liberados são os de químicos orgânicos, com 642 itens, seguido por máquinas e aparelhos elétricos, com 194, e máquinas e equipamentos mecânicos, com 163.
Também aparecem com número relevante de isenções os metais comuns e produtos metálicos (157), químicos inorgânicos (132) e instrumentos ópticos, médicos e de precisão (84). Já nas categorias ligadas ao agronegócio, café, chá, mate e especiarias somam 55 produtos isentos, carnes têm 45, e frutas e frutos secos, 48.
Outras áreas com presença na lista incluem produtos farmacêuticos acabados (52), combustíveis e óleos minerais (76), plásticos e borracha (62), couros, peles e madeira (62), e minerais e minérios (43). Setores menores, como têxteis, laticínios e ovos, e outros produtos de origem animal, aparecem com apenas 1 ou 2 itens isentos cada.