Da Redacão
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deu mais um passo na incorporação de soluções tecnológicas voltadas ao exercício da advocacia com o lançamento do OpenDetector, plataforma gratuita destinada à análise de documentos elaborados com auxílio de inteligência artificial. A novidade integra o Programa Nacional de Soluções Tecnológicas para a Advocacia e representa a primeira iniciativa prática do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia (PNIAA).
A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a empresa Forlex e poderá ser utilizada por advogados regularmente inscritos na OAB. O objetivo é oferecer uma camada adicional de segurança na elaboração de peças jurídicas, reduzindo o risco de erros que podem comprometer a qualidade técnica dos documentos.
Segundo a entidade, o avanço da inteligência artificial tornou indispensável a criação de mecanismos que auxiliem os profissionais a utilizar essas tecnologias de forma responsável, preservando a segurança jurídica e os padrões éticos da profissão.
Sistema verifica referências e identifica inconsistências
O OpenDetector foi projetado para examinar petições, pareceres, pesquisas jurídicas e outros documentos produzidos com apoio de ferramentas de IA. Durante a análise, a plataforma confere a consistência das referências utilizadas e procura identificar possíveis equívocos.
Entre as verificações realizadas estão a detecção de dispositivos legais inexistentes, precedentes judiciais incorretos e citações que não encontram correspondência em bases oficiais. O sistema também realiza análises voltadas à segurança do uso da inteligência artificial na elaboração de documentos jurídicos.
A expectativa da OAB é que a plataforma funcione como um recurso de apoio aos profissionais, contribuindo para reduzir falhas decorrentes da utilização de sistemas generativos e reforçando a confiabilidade das peças apresentadas ao Poder Judiciário.
Programa amplia acesso da advocacia à inovação
O lançamento da ferramenta marca o início do Programa Nacional de Soluções Tecnológicas para a Advocacia, iniciativa criada para ampliar o acesso da classe a recursos digitais voltados à atividade profissional. O programa está inserido nas ações previstas pelo PNIAA, estratégia apresentada pela OAB para orientar a modernização da advocacia diante do avanço da inteligência artificial.
O plano foi estruturado em cinco pilares: governança, capacitação profissional, modernização dos serviços oferecidos pela Ordem, defesa das prerrogativas da advocacia e inclusão tecnológica. A proposta também prevê a celebração de parcerias para disponibilizar novas soluções voltadas à pesquisa jurídica, gestão de escritórios, automação de tarefas, segurança da informação e aumento da produtividade.
De acordo com a OAB, todas as iniciativas deverão observar critérios relacionados à proteção de dados, confiabilidade das ferramentas e respeito às garantias inerentes ao exercício profissional dos advogados.
Estratégia aposta em inovação com responsabilidade
Para a direção da Ordem, o lançamento do OpenDetector representa o início de uma política permanente voltada à transformação digital da advocacia brasileira. A instituição defende que a incorporação da inteligência artificial deve ocorrer de forma planejada, conciliando inovação tecnológica com segurança, ética e responsabilidade institucional.
A entidade também sustenta que o Programa Nacional de Soluções Tecnológicas pretende transformar em ações concretas as diretrizes estabelecidas pelo PNIAA, ampliando o acesso da advocacia a recursos tecnológicos desenvolvidos especificamente para a prática jurídica.
O OpenDetector já está disponível gratuitamente para advogados e advogadas com inscrição regular na OAB, reforçando a estratégia da entidade de estimular o uso qualificado da inteligência artificial sem abrir mão da confiabilidade e da qualidade técnica da atuação profissional.