Da Redação
Operação Off-Balance investiga aplicação suspeita de R$ 112 milhões em títulos privados; dirigentes do instituto previdenciário são alvo de buscas e medidas cautelares
A Polícia Federal lançou nesta quarta-feira, 13, uma operação para investigar o uso de recursos públicos da previdência dos servidores municipais de Cajamar, cidade da Grande São Paulo. A ação apura se houve irregularidades na forma como cerca de R$ 112 milhões foram investidos em papéis de dois bancos privados.
Mandados cumpridos em três cidades paulistas
Batizada de Off-Balance, a operação mobilizou policiais federais em Cajamar, Boituva e na capital paulista. No total, seis mandados de busca e apreensão são cumpridos. Além das buscas, a Justiça Federal determinou o afastamento de alguns dos investigados de suas funções e o bloqueio de seus bens. As medidas foram autorizadas pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
A investigação começou após denúncia de possíveis irregularidades na aplicação de cerca de R$ 107 milhões em quatro letras financeiras emitidas por dois bancos privados. O volume total sob suspeita chegou a R$ 112 milhões: R$ 87 milhões teriam sido direcionados ao Banco Master e R$ 20 milhões ao Banco Daycoval. O Estadão pediu posicionamento do instituto previdenciário de Cajamar e do Banco Daycoval. O espaço segue aberto.
O que a PF suspeita
A principal hipótese dos investigadores é a de gestão temerária — expressão jurídica que designa a administração irresponsável ou imprudente de recursos alheios. A PF aponta falhas graves de governança, ausência de análises técnicas adequadas antes das aplicações e deficiências na avaliação dos riscos envolvidos. Há ainda suspeita de que os investimentos teriam sido deliberadamente direcionados ao Banco Master.
Os aportes foram realizados durante a gestão do então prefeito Danilo Joan, do Progressistas (PP). Joan é apontado como aliado do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ele mesmo alvo de outra operação federal — a Compliance Zero — que também investiga a atuação do Banco Master e sua rede de influência.
Quem está na mira da investigação
Os principais alvos da Off-Balance são dirigentes e membros do comitê de investimentos do instituto de previdência de Cajamar.
Entre eles estão Luiz Henrique Miranda Teixeira, que exerceu o cargo de diretor-executivo entre julho de 2023 e dezembro de 2025; Marcelo Ribas de Oliveira, presidente do Comitê de Investimentos e diretor de Benefícios; e Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro, responsável direto pela gestão dos recursos do regime previdenciário e integrante do mesmo comitê. Também é investigado Rafael Petroziello, membro do colegiado que teria participado das deliberações e assinado autorizações para os aportes questionados.