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Rosto do Ministro Flávio Dino

Decisão de Flávio Dino expõe suposto esquema de R$ 193 milhões no RJPET após suspensão do sigilo

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 12 de maio de 2026

Da Redação

A suspensão do sigilo da decisão do ministro Flávio Dino trouxe à tona detalhes de uma investigação que apura um suposto esquema de fraude em contratos públicos ligados ao programa RJPET, no Rio de Janeiro. A decisão monocrática, assinada em 2025 no âmbito da Petição 15.234, autorizou mandados de busca e apreensão contra agentes públicos, empresários e pessoas ligadas à gestão estadual.

Segundo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, a investigação aponta indícios de direcionamento de licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa dentro da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro. Os contratos investigados ultrapassam R$ 193 milhões.

A publicidade dos autos elevou a repercussão do caso no meio jurídico, principalmente entre advogados que atuam com licitações, improbidade administrativa e direito penal econômico. A decisão também reforça o entendimento do STF sobre o uso de medidas cautelares invasivas em investigações envolvendo corrupção e contratos públicos.

Dino reforça entendimento do STF sobre “fundadas razões”

Na decisão, Flávio Dino reafirma que medidas de busca e apreensão não dependem de prova definitiva da prática criminosa. Segundo o ministro, basta a existência de “fundadas razões”, sustentadas por elementos concretos e objetivos produzidos durante a investigação.

O magistrado citou precedentes recentes do próprio Supremo para destacar que a justa causa em diligências cautelares deve ser analisada de forma preliminar, especialmente quando há suspeitas de ocultação de provas, manipulação contratual e movimentações financeiras atípicas.

Para especialistas em direito público, o posicionamento fortalece a atuação de órgãos de controle e aumenta o risco jurídico para gestores e empresas contratadas pelo poder público. A tendência é de maior rigor na análise de aditivos contratuais e justificativas técnicas em licitações.

Contratos milionários e aditivos entram no centro da investigação

Os autos descrevem uma suposta engrenagem de favorecimento à empresa Consuvet, criada em 2021 e que, poucos meses depois, passou a firmar contratos milionários com o governo estadual. Investigadores apontam indícios de direcionamento de certames e desclassificação de propostas mais vantajosas.

A decisão menciona ainda aditivos considerados desproporcionais e aprovados com rapidez incomum dentro da estrutura administrativa. Em alguns casos, a ampliação dos contratos ocorreu sem estudos técnicos consistentes ou comprovação adequada da necessidade do aumento dos serviços.

Outro ponto sensível para o meio jurídico envolve a migração de agentes públicos para a empresa beneficiada pelos contratos. Um dos investigados teria deixado cargo estratégico na secretaria para integrar posteriormente o quadro societário da Consuvet, fato tratado pela investigação como possível evidência de favorecimento ilícito.

Suspensão do sigilo amplia impacto político e jurídico do caso

Com a retirada do sigilo, vieram à tona informações sobre movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda de alguns investigados. Relatórios citados nos autos apontam saques fracionados em espécie, transferências elevadas e operações suspeitas de lavagem de dinheiro.

A investigação também relaciona o crescimento patrimonial de agentes públicos ao período de execução dos contratos. Segundo a decisão, o caso pode envolver corrupção ativa e passiva, frustração do caráter competitivo de licitação e organização criminosa.

A abertura dos autos deve ampliar os desdobramentos judiciais e administrativos da investigação. Para advogados que atuam na defesa de gestores públicos e empresas contratadas pelo Estado, o caso já é tratado como um dos mais relevantes de 2025 na área de combate à corrupção e controle de contratações públicas.

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