Da Redação
O programa federal de renegociação de dívidas bancárias Desenrola 2.0 está próximo de alcançar a marca de R$ 1 bilhão em débitos renegociados, conforme balanço divulgado nesta segunda-feira (11) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O programa, voltado a brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos — hoje equivalentes a R$ 8.105 —, já acumula 200 mil pedidos de renegociação enviados às instituições financeiras participantes.
Operações em andamento
Das solicitações registradas, cerca de 100 mil já estão praticamente concluídas. O volume representa um avanço expressivo desde o lançamento do programa, que integra uma mobilização nacional prevista para durar 90 dias, com o objetivo de reduzir a inadimplência entre as famílias brasileiras.
As dívidas elegíveis precisam ter sido contratadas até 31 de janeiro de 2026 e estar em atraso entre 90 dias e dois anos. As modalidades contempladas são cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Como funciona a renegociação
O modelo adotado pelo programa prevê a concessão de um novo empréstimo pelo banco para quitar o débito antigo, com condições mais vantajosas para o devedor. Os descontos variam entre 30% e 90%, dependendo do tipo de dívida e do tempo de atraso.
Os juros ficam limitados a 1,99% ao mês, com prazo de pagamento de até 48 meses e primeira parcela em até 35 dias. Cada pessoa pode renegociar até R$ 15 mil por banco participante.
FGTS como aliado
Outra frente do programa permite que trabalhadores utilizem parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater dívidas. É possível usar até 20% do saldo disponível ou até R$ 1 mil, valendo o que for maior entre os dois valores.
A medida busca afastar os consumidores de linhas de crédito mais onerosas, como o rotativo do cartão de crédito, que costumam aprofundar o endividamento.
Fies entra no programa ainda esta semana
Durigan informou à imprensa que o governo prepara a inclusão de estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) no programa, com previsão de estar “totalmente operativa” ainda nesta semana. A estimativa é beneficiar mais de 1 milhão de estudantes.
Para dívidas com mais de 360 dias de atraso, quem não está inscrito no CadÚnico pode obter desconto de até 77%. Já os inscritos no cadastro podem ter abatimento de até 99% da dívida, com parcelamento em até 150 vezes.
Quatro frentes de atuação
O Novo Desenrola Brasil está estruturado em quatro modalidades: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresas e Desenrola Rural. A expectativa do Ministério da Fazenda é renegociar até R$ 42 bilhões em dívidas ao longo de toda a vigência do programa.
Prêmio para quem pagou em dia
Além do foco nos inadimplentes, o governo estuda criar um benefício para consumidores que mantiveram seus compromissos financeiros em dia. O ministro Durigan sinalizou à imprensa que a iniciativa deve ser anunciada em uma segunda etapa, sem detalhar os formatos possíveis.
Por ora, a prioridade é atender quem enfrenta maiores dificuldades. Dados do Banco Central indicam que parcela relevante da renda das famílias brasileiras segue comprometida com dívidas, sobretudo nas modalidades de crédito com juros mais elevados.