Da Redação
Ex-governador é alvo de busca e apreensão na Barra da Tijuca; investigação apura investimentos do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, instituição já liquidada pelo Banco Central
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 26 de maio, mais uma operação contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Desta vez, o alvo é a aplicação de cerca de R$ 3 bilhões de recursos públicos do Rioprevidência — fundo de pensão dos servidores fluminenses — em produtos financeiros vinculados ao Banco Master, instituição já liquidada pelo Banco Central e suspeita de operar com créditos de alto risco.
Agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na cobertura de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde o ex-governador reside. A defesa de Castro ainda não se manifestou.
Oitava fase de uma investigação em andamento
A ação desta terça faz parte da oitava fase da Operação Compliance Zero, conduzida com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). No total, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
A investigação foca em transferências realizadas a partir de julho de 2024, quando o Rioprevidência teria aplicado R$ 2,01 bilhões adicionais em fundos do Master — valor que, somado a aportes anteriores, chega a aproximadamente R$ 3 bilhões. Os papéis financeiros em questão foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos apenas para 2033 e 2034.
Segunda operação em menos de duas semanas
Não é a primeira vez que Cláudio Castro enfrenta agentes da PF em tão pouco tempo. No dia 15 de maio, durante a Operação Sem Refino, ele já havia tido o celular e o tablet apreendidos. Aquela investigação mira as relações de sua gestão com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador de impostos do país.
O ex-governador deixou o cargo em 23 de março deste ano para tentar uma vaga no Senado Federal. A candidatura, porém, foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dias depois, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Rioprevidência como epicentro das suspeitas
O Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores do estado, aparece no centro das investigações. Segundo a PF, o fundo aplicou R$ 970 milhões apenas em letras financeiras do Banco Master — que mais tarde seria liquidado pelo Banco Central sob suspeita de irregularidades.
O fundo previdenciário também é alvo de outra frente investigativa, a Operação Barco de Papel, que apura a conduta de ex-presidentes, diretores e gerentes de investimentos da instituição, além de possíveis ligações com executivos do Master.
Crimes investigados vão de corrupção a fraude financeira
A lista de crimes sob investigação é extensa. As apurações envolvem crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, indução a erro de repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor, formação de associação criminosa e corrupção passiva.
Se confirmadas as irregularidades, o caso pode representar um dos maiores escândalos envolvendo fundos previdenciários estaduais no Brasil recente — com trabalhadores do serviço público fluminense como as principais vítimas do esquema investigado.